Agamenon se explica sobre acusações da ‘Indenizar-se’

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 04/04/2017 às 00:33:00

O ex-vereador Agamenon Sobral Freitas (PHS), um dos denunciados no processo judicial da “Operação Indenizar-se”, prestou depoimento ontem de manhã na sede do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), da Polícia Civil. Acompanhado por seu advogado, ele foi ouvido durante quase duas horas e deu explicações sobre os gastos com as verbas indenizatórias de seu gabinete durante o mandato exercido entre 2013 e 2016. Agamenon, que chegou a ser preso durante as investigações, em setembro de 2016, é acusado de desviar recursos destas verbas e justificar os gastos com notas fiscais de supostos serviços de assessoria jurídica, assessoria de imprensa e locação de veículos.

Na saída da sede da Deotap, o ex-vereador negou o uso de notas frias e apresentou documentos para argumentar que os serviços descritos nas notas foram realmente prestados, não tendo recebido nenhuma quantia oriunda destas verbas. “Todos os fatos que nós apresentamos aqui estão documentados. É uma situação bem tranqüila para o vereador Agamenon, porque todos os serviços foram prestados, os valores foram realmente pagos, existem documentos que comprovam esse pagamento e inclusive outras circunstâncias que foram informadas aqui e vão depender de uma apuração da delegacia, para se chegar a conclusão sobre o motivo da suspensão dos serviços”, disse o advogado do político, Guilherme Maluf.

Durante o depoimento, um oficial de justiça esteve na sede da Deotap e notificou Agamenon para que apresente sua defesa em duas ações judiciais movidas contra ele. A primeira é a ação penal criminal que foi aberta contra todos os denunciados da ‘Indenizar-se’, que corre em segredo judicial na 3ª Vara Criminal de Aracaju. Nela, Agamenon e outros 14 vereadores e ex-vereadores respondem pelos crimes de peculato, associação criminosa, falsidade ideológica e uso de documentos falsos. O segundo processo foi movido pela própria coordenadora do Deotap, delegada Danielle Garcia, que foi ofendida pelo ex-vereador em algumas entrevistas concedidas à época e o acusa por crimes de injúria e difamação. Em cada um dos casos, a defesa tem 10 dias para apresentar suas alegações iniciais.

O depoimento de ontem faz parte de uma nova fase de depoimentos da Operação Indenizar-se, que foi deflagrada em março de 2016 para investigar um esquema que desviou cerca de R$ 7 milhões em verbas indenizatórias da Câmara Municipal de Aracaju, entre 2013 e 2016. As investigações da Polícia Civil têm a participação do Ministério Público Estadual (MPE), que já moveu uma ação de improbidade administrativa contra todos os envolvidos. Nesta fase de oitivas, outros três ex-vereadores prestaram depoimento à polícia.