“A vida humana corre riscos” alerta Arcebispo de Aracaju

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Publicada em 06/04/2017 às 00:50:00

A preservação dos biomas brasileiros foi o principal tema debatido na Assembleia Legislativa de Sergipe, nesta quarta-feira (04) estimulado pela palestra proferida pelo Arcebispo da Arquidiocese de Aracaju, Dom João José da Costa, na tribuna da Casa Legislativa. Líderes religiosos, representantes do CONAL, dirigentes de entidades da sociedade civil organizada, leigos e leigas acompanharam a palestra nas galerias.

Por iniciativa das deputadas estaduais Ana Lúcia e Maria Mendonça, Dom João foi à ALESE abordar o tema da Campanha da Fraternidade de 2017: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida” e chamou a atenção para os riscos acarretados à vida humana gerados pela destruição dos recursos naturais.

O Arcebispo da Arquidiocese de Aracaju alertou que, sem os biomas devidamente recuperados e preservados, a vida humana corre riscos. “O mundo natural não deveria ser desfigurado a ponto de a degradação causar danos irreversíveis ao próprio homem, que destrói a natureza. E destruindo-a, o próprio homem corre o risco de destruição”, advertiu Dom João José da Costa.

 “A flora devastada arrasta consigo a fauna que fenece, bem como acarreta no desaparecimento de fontes nascentes e olhos d'água, que fazem rios e os riachos deixarem de ser perenes. Sem água, as vidas humana e animal não podem seguir seus cursos naturais”, Explicou Dom João.

Para ele, a situação da biodiversidade em nosso Estado reflete a situação de destruição nacional. “Em Sergipe, encontram-se dois biomas: a caatinga e a Mata Atlântica, ambos muito degradados. De ambos resta muito pouco”, lamentou o arcebispo.

Ana Lúcia também apontou diversos problemas ambientais presentes no nosso Estado. Desmatamento das matas ciliares dos rios; o uso indiscriminado e pulverização de agrotóxicos; desvio de água para irrigação de grandes propriedades do agronegócio, sobretudo os canaviais; e a salinização das águas, especialmente no baixo São Francisco foram apenas alguns aspectos ambientais levantados pela deputada, que é presidente da Frente Parlamentar Ambientalista da ALESE.

 “Não se pode negar que o progresso e o desenvolvimento eram imprescindíveis, porém nós não soubemos preservar nossos dois biomas. Aos poucos, o homem invasor que veio de fora para se estabelecer e produzir acabou esquecendo até mesmo os nomes das árvores . Diante dessa realidade tão agressiva, quem são os responsáveis? O poder público? As forças econômicas exploradoras da natureza? A sociedade em geral? Evidente que todos tem sua parcela de responsabilidade”, apontou.

Além de destacar a fragilidade da nossa educação para a preservação ambiental, Ana Lúcia atribui ainda muitos dos problemas ambientais aos grandes empresários do agronegócio que, em nome do lucro e da acumulação, desconsideram as consequências dos desequilíbrios gerados para a vida das pessoas . “O agronegócio não tem limite, o limite dele é o lucro”, resumiu.