Danielle se afasta de inquérito contra Agamenon

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Publicada em 06/04/2017 às 00:50:00

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou ontem que a delegada Danielle Garcia Soares, coordenadora do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária (Deotap), se afastou de um dos inquéritos policiais relacionados à ‘Operação Indenizar-se’, da Polícia Civil, que apura um desvio de verbas indenizatórias na Câmara Municipal de Aracaju (CMA). Trata-se da investigação contra o ex-vereador Agamenon Sobral Freitas (PHS), preso durante a operação e réu da ação penal relativa ao caso, que já tramita na 3ª Vara Criminal de Aracaju. De acordo com a SSP, Danielle declarou-se impedida de seguir à frente das apurações contra Agamenon, pois moveu contra ele um processo por injúria, difamação e danos morais.

Esta ação, aberta no Juizado Especial Criminal de Aracaju, foi provocada por acusações e ofensas pessoais que o ex-vereador dirigiu à delegada em entrevistas dadas à imprensa após a deflagração da primeira fase da ‘Indenizar-se’, em março de 2016. Nesta segunda-feira, enquanto prestava depoimento na sede do Deotap sobre as acusações da ‘Indenizar-se’, Sobral foi interpelado por um oficial de justiça e notificado oficialmente desta ação, já que não vinha sendo localizado nos endereços fornecidos à Justiça. A defesa tem prazo de 10 dias para apresentar explicações ao juiz Marcelo Augusto Costa Campos, responsável pelo caso.

O delegado-geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira, confirmou que, por ser parte interessada no processo, ela já tinha feito esse pedido em fevereiro. Ao comentar o assunto, ele avaliou que a atitude de Danielle foi de “louvável cautela”, para evitar futuras acusações de parcialidade ou tendência negativa na condução do inquérito. Ele esclareceu ainda que a delegada continua normalmente na coordenação-geral do Deotap e na presidência dos outros inquéritos da ‘Indenizar-se’, deixando de participar apenas dos casos que envolvem Agamenon. Estes, por sua vez, devem ser repassados à delegada Nadja Flausino Vitolo, também do Deotap.

Agamenon exerceu o mandato de vereador entre 2013 e 2016, destacando-se por ofensas, acusações e declarações polêmicas contra várias categorias de profissionais, tendo por isso recebido outros processos na justiça por danos morais. O político também é acusado de, durante seu mandato, desviar as verbas de gabinete da CMA, usando serviços fictícios de aluguel de veículos, assessoria jurídica e assessoria de imprensa. Em sua defesa, ele alega que os serviços descritos nas notas foram prestados. Sobral foi preso na segunda fase da ‘Indenizar-se’, em setembro de 2016, recebeu um habeas-corpus no dia seguinte e responde em liberdade ao processo da 3ª Vara Criminal, pelos crimes de peculato (desvio de recurso público), falsidade ideológica e formação de quadrilha. Outras 20 pessoas, incluindo 15 políticos, são arroladas como réus do mesmo processo.