“Fim do programa Ciência sem Fronteira é um crime”, avalia João Daniel

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Publicada em 08/04/2017 às 00:44:00

Num cenário em que a cada dia os brasileiros recebem notícias ruins vindas desse governo federal, o deputado João Daniel (PT/SE) lamentou mais uma delas, que foi o anúncio do fim do programa Ciências Sem Fronteiras. Em discurso na Câmara dos Deputados, o parlamentar que isso é um crime contra uma das políticas mais importantes para a juventude, em especial, a juventude que integra a classe trabalhadora.

 O programa Ciência Sem Fronteiras foi criado no ano de 2011 e beneficiou mais de 100 mil estudantes com bolsas de estudos no exterior. O corte do programa para alunos da graduação irá prejudicar dezenas de milhares de alunos, em especial os de famílias mais carentes. “Era normal, até bem pouco, nós encontrarmos no sertão, no semiárido nordestino, em qualquer região do Brasil, jovens que tiveram a oportunidade de estudar nos institutos federais, nas universidades e de conhecer outro país, de ter novas experiências. Isso é o que vai construindo um pensamento nacional, um pensamento de pesquisadores, de cientistas, que engrandece o nosso Brasil. Isso é o que vai construindo este país com soberania, com ciência e com pensadores”, ressaltou João Daniel.

 

O parlamentar lembrou que o Brasil tinha parceria com as melhores universidades do mundo e os melhores centros de pesquisa. No entanto, repentinamente, o Ministério da Educação anuncia esse corte. “De uma hora para outra, um ministro da Educação que presta contas para o ensino privado, no qual este governo tem interesse. E estamos vendo um Governo que não tem nenhum compromisso com a juventude, com o futuro do Brasil”, disse.

João Daniel prestou solidariedade aos jovens estudantes atingidos por essa medida antidemocrática e ressaltou que o caminho para a juventude e todas as organizações da juventude estudantil são as ruas. “No dia 28 haverá paralisação e greve nacional. Este governo só vai respeitar as políticas públicas se o povo estiver nas ruas, se houver mobilização, como houve no dia 8, no dia 15, e como haverá de ser daqui para frente. Não podemos aceitar a perda de direitos e de conquistas”, afirmou o deputado.

 Após o anúncio do corte por parte do governo federal, o ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante, chegou a divulgar nota em que avalia que essa medida atingirá negros, jovens e famílias de baixa renda. Isso porque, segundo dados apresentados por ele, dos alunos que participaram do Ciência Sem Fronteiras, 26,4% são negros; 25% são jovens de famílias com renda até três salários mínimos; e mais da metade são de famílias com renda de até seis salários mínimos.