Moradores de Lagarto e Boquim protestam pela falta de água

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Publicada em 08/04/2017 às 00:46:00

Milton Alves Júnior


Moradores de Lagarto e Boquim fizeram ontem um ato público em conjunto para protestar contra a constante falta de água potável.Eles interditaram parte da rodovia estadual SE-160, situada nas intermediações do povoado Mangue Grande, divisa entre os dois municípios sergipanos. Para bloquear a via os manifestantes utilizaram pneus, pedaços de madeira, além de combustíveis e papelões. Segundo os moradores, desde o final do ano passado cerca de 600 famílias estão sofrendo com o desabastecimento.

De acordo com o líder comunitário Adailton dos Santos Júnior, a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) tem conhecimento do problema, mas até a tarde de ontem não promoveu o reparo pleiteado pelos consumidores. Conforme denúncias apresentadas durante a mobilização, no último mês de outubro o fornecimento era realizado em dias alternados; já em novembro a água potável chegava às casas em semana alternadas; em dezembro o fornecimento ocorria apenas nos finais de semana. Na primeira semana de janeiro o serviço foi suspenso, sendo repassado apenas uma vez a cada 15 dias.

"Estamos todos revoltados aqui porque a gente ainda continua pagando por água e rede de esgoto, sendo que nada disso funciona há mais de dois meses. É uma verdadeira aberração o que os gestores da Deso estão fazendo com a gente aqui. Depois ficam falando por aí que são contra a privatização. Pagamos por um serviço de péssima qualidade e não me venham dizer que não sabiam dessa nossa situação", lamentou. Agentes da Polícia Militar estiveram no local do protesto a fim de evitar maiores desordens públicas e depredação do patrimônio. O manifesto durou mais de duas horas.

Representantes da Deso estiveram no local com o objetivo de dialogar com os manifestantes e colaborar com o desbloqueio da rodovia. A assessoria de comunicação da companhia informou que na próxima segunda-feira, 10, técnicos da empresa estarão reunidos com representantes das comunidades para tentar minimizar os impactos sofridos pelas famílias habitantes da região. Presente no ato, a moradora Maria Creuza dos Santos informou que caso não haja melhorias imediatas, outros bloqueios de estradas podem ocorrer nos próximos 15 dias, e por tempo indeterminado.

"Eu mesmo pago mais de 30 reais todo mês pra nada. Veio um funcionário da Deso e disse que segunda a gente conversa. Se continuar vindo essa cobrança e faltando água pra gente, eu mesmo sou uma das que vou acampar na pista até que tudo se resolva. Cansamos de sofrer e pedir ajuda da Deso. Eles sabem do problema e disseram que iriam mandar uns caminhões pipa, mas até agora nada foi realizado", protestou.