O BRASIL E OS DIVERSOS ¨APAGÕES¨

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 10/04/2017 às 00:17:00

Na era FHC eram frequentes os apagões. Descobriu-se, com eles, que o nosso sistema de geração e distribuição de energia elétrica estava um tanto sucateado, e que a energia resultante de hidrelétricas tornava-se ameaçada pelas rápidas mudanças climáticas.  Começaram a reforçar o sistema construindo as termoelétricas, aquelas, muito poluentes e que fazem subir a conta de luz quando acionadas.

Os ¨apagões¨ que agora nos preocupam, e tornam cinzento o nosso futuro, são outros, diferentes, abusivamente mais graves. É desanimador admitir: estamos diante de um desafio a ser enfrentado por sucessivas gerações. Mas não temos nenhum direito de nos refugiar, de nos esconder atrás do biombo covarde da indiferença, ou lançarmos sobre o problema aquela pá de cal fatalista do pessimismo.

Ao longo da nossa História atravessamos apagões provocados pela maneira um tanto descuidada como costumamos jogar problemas para debaixo do tapete.

Quando Juscelino Kubitscheck deixou o governo completávamos um quinquênio virtuoso de realizações, de otimismo, de muitas esperanças num país que crescia e se transformava para melhor. Um país que naquela época foi efetivamente marcado pela cordialidade irradiando-se do Estadista visionário e conciliador.

JK foi substituído pelo carismático, maluco e ébrio Jânio Quadros. Houve um apagão entre os eleitores, iludidos, e ele venceu a eleição derrotando o sisudo marechal Lott, que não sabia fazer política, mas era digno e responsável. Com Jânio iniciamos a nossa trajetória fatídica pela era do ¨non sense¨, essa expressão francesa para a ausência de sentido, ou o choque com a lógica, e a razão.

-

A TV, O BALÃO, O AMOR, A

REALIDADE E A FICÇÃO

 Dia 3,na novela da Globo que estreava, houve uma cena cujas consequências precisam ser avaliadas. Um jovem casal, no enlevo dos apaixonados, sentimento, aliás, transitório, chega, numa ansiosa ¨pegação¨ até a ¨laje¨ da casa, nas alturas de uma favela sobre um morro. Ele diz-lhe que queria mostrar um espetáculo no céu. Começa a aparecer um enorme balão do qual logo se destaca a chuva luminosa de fogos, e surge numa faixa a mensagem escrita: ¨Eu te amo¨.

A moça fica deslumbrada, o companheiro lhe diz: ¨ Fiz isso para você, consegui com meus amigos baloeiros¨.

A novela é obra de ficção, aliás, sempre precedida pelo aviso: ¨qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência¨.

Em nosso país o mais improvável absurdo transforma-se em realidade. E em realidade cruel e perturbadora. No Rio uma quadrilha que reunia o Governador, o Tribunal de Contas, certamente também Magistrados, esvaziou os cofres. Fecham hospitais. Sem segurança, escolas terão de construir muros de proteção. A Educação refugia-se nos bunkers. No Rio já morreram 56 policiais, este ano. No país todo morrem assassinados, por ano, cerca de 50 mil seres humanos, alguns deles dentro de escolas, crianças, atingidas por balas perdidas. Em nenhum outro país morrem tantas pessoas dessa maneira absolutamente incomum, absurda. Talvez na Síria, devastada pela guerra, onde em 7 anos de ataques aéreos, uso de armas químicas, misseis, artilharia pesada, mais de 200 mil combatentes envolvidos na carnificina, o saldo horroroso dessa hecatombe, é de 400 mil mortos. A nossa espantosa cifra, chega, no mesmo período, a cerca de 300 mil mortes.

O absurdo nos envolve, desafia a própria ficção, vai além do surreal. Tudo resultante da nossa indolência, da apatia dos poderes públicos em face da calamidade nacional. Somos uma Nação de sonâmbulos, vez por outra acordados pelos estampidos, e voltando a cochilar na indiferença.

Num país assim dilacerado, vulnerável, assolado pela violência, pelos escândalos, uma TV, que é concessão pública, e tem, constitucionalmente e por contrato, o dever de promover a educação a cultura, e a cidadania, parece desconhecer que mesmo a ficção também pode transformar-se num mau exemplo contagioso.

Por mais que sejamos ciosos da plena liberdade de expressão, da ilimitada fronteira da criação artística, sabe-se que soltar balão é crime, e baloeiros formam uma organização criminosa.

Balões, por vezes com mais de 10 metros, carregam um botijão de gás que alimenta o fogo central aquecendo o ar para que subam. Esses artefatos têm uma carga inflamável de fogos de artificio. Quando caem, provocam incêndios, e sempre o maior temor é que caiam sobre refinarias, postos de gasolina, depósitos de combustíveis. As polícias, inclusive a federal, também a Aeronáutica, empenham-se em localizar as quadrilhas dos baloeiros, em acompanhar a rota dos balões.

No clima surrealista em que vivemos, nem mais espanta ou causa indignação um veículo da nossa mídia televisiva, concedida pelo Poder Público, repetimos, transformar um crime, uma atividade altamente danosa, em brincadeirinha inocente, utilizada por um apaixonado para fazer mimos à mulher amada.

Triunfantes os baloeiros dirão: ¨Tamo na Globo. Vamo soltar balão¨. Depois, quantos irão recorrer a eles para levaram via balão as suas mensagens apaixonadas, ou até de publicidade?

 

 

O FUTURO À TOA NA

NOITE DO ABANDONO

Faz tempo, em Aracaju muito se falava e se sabia da importância que tinham os Juízes que cuidavam dos menores.

Eram conhecidos muito bem, a eles chegavam apelos, batiam às suas portas o sofrimento de famílias, o drama das crianças abandonadas, dos menores levados à delinquência. Lembremo-nos desses Juízes: Manoel Barbosa de Souza, Jose Conceição, Jose Rivaldo Santos. O último, que vivia e sentia o drama dos menores, foi o hoje desembargador Ricardo Múcio Santana de Abreu Lima. Não raro, via-se a Kombi em que ele percorria as ruas de Aracaju durante as noites, acompanhado de auxiliares.  Recolhiam menores, os levavam às suas casas, se as tivessem, ou aos abrigos. Já se vão uns 15 anos, muita coisa mudou, os problemas tornaram-se mais graves, a criminalidade juvenil cresceu.

A Constituição de 1988, apelidada de cidadã pelo idealista Dr. Ulisses, criou uma vastidão de direitos, impôs ao Estado múltiplas e largas exigências, sem precisar exatamente de onde sairiam os recursos, se a nossa economia estava apta a atender a tudo. Por isso, se tornam improdutivos muitos Termos de Ajuste de Conduta que o Ministério Público pressurosamente assina junto com gestores de cofres vazios.

Mas onde existem omissões de toda a sociedade, há medidas talvez possíveis, desde que haja uma conjugação de esforços.

Quem passar à noite em torno daquele edifício apelidado Maria Feliciana, verá a cena que nos amesquinha como cidadãos, como seres humanos. Lá estão, por vezes, mais de 20 menores perambulando ou dormindo pelos vãos das calçadas, idades entre 5 e uns 12 anos. Esperam os ¨bons samaritanos¨ que chegam em seus veículos trazendo sopa, faina virtuosa que se repete. O fato real e cruel é que há crianças na noite do abandono. E onde estão esses Conselhos da Infância e da Adolescência, disputados em eleições nas comunidades, com dirigentes remunerados, dispondo de veículos, e que não aparecem?

O que acontece em torno do edifício sede de órgãos públicos nos seus 27 andares repete-se em outros locais. De quem a responsabilidade? Dos Juizados, do Ministério Público, dos Conselhos, da Prefeitura, do Estado, da União?

Alguém, ou tantos, isoladamente, ou de preferência juntos, deveriam assumi-la.

 

 

LEMBRANDO LOURIVAL E

SUA ¨GUERRA¨ O CIGARRO

Em relação ao vício do fumo o Brasil aparece como um caso exemplar. Aqui, os fumantes que chegavam a 26% dos homens caíram para 16%, e entre as mulheres desceram de 19% para apenas 8%.

Enquanto isso, no mundo, o vício que alcançava 860 milhões, agora afeta a mais de um bilhão, lembrando que a população mundial é de 7 bilhões, assim, de cada 7 hóspedes temporários do planeta, um é fumante. O fumo está entre as maiores causas de mortes.

Tudo se fez sem repressão, apenas com leis disciplinadoras, esclarecimento constante. O sucesso de hoje deve-se ao começo corajoso de uma campanha iniciada sob descrédito, e levada à frente, insistentemente, pelo senador Lourival Baptista. Deveríamos pensar sobre a possibilidade de ser replicada, em relação ao flagelo das drogas, a experiência vitoriosa no caso do tabagismo.

 

PEDRAS CONTRA A DEMOCRACIA

Manifestantes fechando rodovias, afetando a vida, o trabalho de muitas pessoas, médicos, professores, fazendo greves insistentes e até insensatas, policiais que abandonam seus postos de trabalho em protesto, pedras que são lançadas contra policiais, prédios públicos, ou particulares, deixam de ser atos legítimos e se tornam ameaças à democracia. Em Aracaju, assistimos duas agressões por motivos ideológicos, ou discordâncias. No aeroporto, contra o senador Eduardo Amorim e o deputado federal Jony Marcos, agora, contra a empresa do deputado federal Laércio Oliveira. Esses apedrejadores, talvez tenham errado felizmente os seus alvos, mas acertaram em cheio na essência da democracia, que é o direito sagrado de pensar e divergir.

 

 

NÃO ERA FANTASMA

ERA A TFP DE VOLTA

Chico Varela é um químico que na juventude sonhou em ajudar a construir a fórmula que julgava ideal para a sociedade, e por isso até imaginou substituir o tubo de ensaio pelas armas, conteve-se, porém, e limitou-se à militância e ao protesto através da arte de representar nos palcos insubmissos. Isso lhe valeu cadeia. Hoje romancista aplaudido, Varela teve no aeroporto de Brasília, uma volta no tempo que nem imaginaria reviver no seu mundo da ficção. Topou com a TFP em carne e osso e grotescamente fardada com seus atavios medievais. Pois é, ele constatou: se retornam às ruas esses estranhos mancebos, branquelos, quase nórdicos, portadores dessas sebosas velharias racistas, intolerantes, retrógradas, é porque andariam em busca daquilo que conseguiram ajudar a fazer em 1964. TFP é a Tradição Família e Propriedade, ou seja, a Tradição, como manutenção de privilégios, a Família, como núcleo exclusivo da elite branca e falsamente cristã, e a Propriedade, como direito restrito a um grupo também de brancos, preferentemente portadores de ¨sangue azul¨.

Que susto!

 

 

UMA CAMPANHA QUE SE

CHAMA RAYMUNDO MELO

Atravessando a faixa de pedestre Raymundo Melo morreu atropelado por uma moto. Cidadão exemplar, servidor público, aos 86 anos desfrutando da aposentadoria, enquanto ajudava às vocações sacerdotais da Igreja Católica, e escrevia memórias de tempos vividos, clarificando a História.

A Loja Maçônica Cotinguiba projeta uma ação pela cidade para dar segurança aos pedestres, conferindo importância aos espaços a eles reservados. A campanha receberá o nome de Raymundo Melo. Houve a concordância dos integrantes da Loja Simbólica.  O venerável Ibrahim Salim vai buscar o apoio de toda a comunidade maçônica, e da sociedade. A campanha será coordenada pelo adepto constante das boas causas, o escritor Domingos Pascoal.

 

UM PROJETO PARA O TURISMO

O ex-prefeito de Socorro Fábio Henrique assumiu a Secretaria de Turismo e já levou ao governador Jackson Barreto um esboço do plano em elaboração por uma equipe técnica. Inclui ações tais como a integração do lado sergipano, o Saco, o Pontal, ao fluxo turístico de Mangue Seco, no lado baiano. Há ideias para o turismo religioso, que começam com a montagem, em São Cristóvão, do cenário onde viveu a irmã Dulce. Ela foi ordenada no Convento do Carmo, ali estão os móveis simples do quarto que a freira quase santificada ocupou. A Gruta anexa ao Convento onde Irmã Dulce rezava será recuperada.

Na colina de Santo Antônio será erguida com apoio do Instituto BANESE uma estátua gigante do Santo. O arcebispo Dom João Costa foi consultado, deu aval à ideia. Fábio tem outros projetos abrangendo Canindé, Poço Redondo, o estuário do Vaza Barris e está à cata de recursos federais. Jackson incluiu nos projetos a reforma da Orlinha da Atalaia, fundamental para completar o complexo praiano de turismo e lazer.

 

 

CENTENÁRIO DE UM BATALHÃO

Quarteis, pelo menos no Brasil, país felizmente em paz com o mundo e infelizmente em guerra insidiosa e solerte aqui dentro mesmo, costumam ser escolas, tanto do bê-á-bá inicial, como de tecnologias, sobretudo de civismo. Essa tropa federal aquartelada aqui desde 1917, sob o nome de 28º Batalhão de Caçadores, tem sido, ao longo desses cem anos, uma escola que alfabetizou milhares de recrutas e os encaminhou para a vida, a civil ou a militar. Infelizmente, os recursos escassos retiram das Forças Armadas parte desse papel educativo e de cidadania, que se faz ao lado do indispensável treino para as ações bélicas. As Forças Armadas continuam sendo injustiçadas ainda, pela quebra dos ritos constitucionais em 64, mas isso deveria ser dividido com a sociedade civil, que foi às ruas pedir golpe, e apoiou os excessos do regime. Tudo isso já faz parte da História, estamos diante de um novo tempo, em que as forças armadas terão de ser vistas como braço armado e constitucional, indispensável, essencial, ao projeto de um grande país, com amplas fronteiras e mares a preservar e defender, e almeja ser respeitada potencia tropical , miscigenada, multicultural, cosmopolita, selvática, sobretudo acolhedora, e radicalmente democrática.

Quando se fala no 28º BC, para alguns, vem logo à mente os episódios que transformaram o quartel num presídio, e em 1976 na ignominia de um porão para torturas, da qual é maior vítima o definitivamente cego, petroleiro Milton Coelho.    Registre-se que apenas uma reduzida minoria de militares teve participação naqueles episódios tristes, e até, que o comando do 28º BC negou-se a deles fazer parte.

Enfim, o centenário do 28º BC, cujo comandante escolheu a Orquestra Sinfônica de Sergipe para encerrá-los com brilhantismo, deve ser festa de todos os sergipanos, e de reconhecimento a um trabalho incessante em favor da coletividade, exercido com disciplina, organização e amor ao oficio, característica que não se pode negar aos militares. O escrevinhador, por curto período, esteve preso no 28º BC, lá cumpriu depois uma longa jornada de interrogatórios. ¨Perguntado se, respondeu que¨.

Hoje, são apenas as boas lembranças dos treinamentos de tiro esportivo, que fazíamos com um grupo de civis e militares, quando, mais de 20 anos depois foi comandante o sempre proativo coronel Eduardo Pereira, que apoiava um nascente Clube de Tiro. Uma observação: Do 28º BC saíram militares que foram combater o cancro nazifascista nos campos de batalha italianos, e lá serviram, depois, tantos veteranos daquela guerra. Alguns deles, dão seus nomes a ruas da nossa Aracaju. Essa história precisa ser escrita.

 

 

O CARTÃO DE CRÉDITO SERGIPANO

O Cartão Banese é único efetivamente sergipano. Deveríamos todos os que vivem nesta terra utilizá-lo aqui dentro, deixando os outros para viagens pelo país ou exterior. Estamos a fazer propaganda, certamente dirão. É verdade, e também um reconhecimento ao esforço que se faz agora para que o BANESE mais e mais se torne segipanizado, ou seja, leve mais crédito, mais ações, amplie o Instituto Cultural, e se torne uma presença cada vez mais constante na vida do estado.

 

COMEÇA A ESCOLA EM TEMPO INTEGRAL

Nessa segunda, dia 10, começam as aulas nas novas escolas em tempo integral. A noticia é curta, mas representa uma grande vitória da sociedade sergipana, do governo, da Secretaria da Educação, contra a maré de retrocesso movida pelo SINTESE.

 

GAMA RETORNA AO TEMPO DA JUVENTUDE

João Augusto Gama, o ex-prefeito de Aracaju, é agora também ex-secretário de Planejamento e Gestão, mas se torna secretário da Cultura. Entra com o pé direito, elogiado por todos, e reencontrando-se com a juventude. Destacam-se nesses elogios de um recebimento festivo, aqueles escritos pelo porta-voz da juventude ledora, modernizante, opinativa, e contestadora, representada pela prosa leve, inteligente e culta do jornalista Rian Santos.

Gama é homem de cultura e militante da cultura. Foi presidente sucessor de José Carlos Teixeira na SCAS, a trincheira da cultura e das artes, até em tempos em que tudo isso estava ao alcance cego, mudo e mouco da repressão, invariavelmente burra. Na Sociedade de Cultura Artística, Gama revelou-se o administrador competente, cheio também de sonhos e até dos indispensáveis devaneios. Gama já fez teatro, Gama é cidadão de muitas e boas artes. Benvindo seja ao seu campo de origem.

 

JONY E O GRITO PELO NORDESTE

Em fevereiro o governador Jackson Barreto esteve com o ministro da Agricultura Blairo Maggi, estava acompanhado pelo deputado federal Jony Marcos e pelo ex-deputado Heleno Silva, chefe do escritório de Sergipe em Brasília. Reivindicavam a liberação de milho a preços subsidiados para os criadores do semiárido sergipano. Blairo foi solicito no atendimento. Numa solenidade muito concorrida o presidente Temer anunciou que enviaria 200 mil toneladas de milho para o nordeste. Passou o tempo e nada. Soube-se que o Ministro da Fazenda recusava-se a cobrir a diferença do preço subsidiado. Na quarta- feira, dia 5, o plenário da Câmara estava repleto. O deputado Jony subiu à tribuna e fez um duríssimo discurso, defendendo o nordeste. Perguntou se o presidente Temer cumpriria a palavra ou estaria enganando os nordestinos. Na sexta feira o milho foi liberado sob a tolerância compungida do Ministro Meireles. Vindo por via rodoviária o milho demorará ainda uns 15 dias até chegar por aqui.