Delegados suspendem plantões, mas ficam com cargos

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Publicada em 12/04/2017 às 00:02:00

Em assembleia realizada na manhã de ontem, os delegados da Polícia Civil aprovaram um conjunto de medidas de mobilização, as quais entram em vigor às 18h. O objetivo é pressionar o Governo do Estado a corrigir uma série de distorções e desigualdades existentes entre as forças policiais, a exemplo do valor pago pela atividade de plantão e a jornada mensal de trabalho. Além disso, a categoria cobra o cumprimento do acordo firmado no final do ano passado, consistente na regularização das acumulações de delegacias no interior e a equiparação salarial com procuradores do estado.

Segundo o presidente da Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol), Paulo Márcio Ramos Cruz, nunca houve tamanha disparidade entre os salários de delegados e procuradores. “Historicamente, as oscilações porventura existentes em favor de uma ou outra carreira, quando muito, nunca estiveram acima dos cinco por cento. É imperioso restabelecer o tratamento isonômico entre as carreiras jurídicas do Executivo, compostas por delegados, procuradores e defensores públicos, pois nada justifica essa discriminação”, argumentou ele.

Após deliberação, os delegados de polícia decidiram suspender imediatamente os plantões extraordinários até que o valor seja corrigido, na forma do novo parecer da Procuradoria Geral do Estado, que entende ser a verba de natureza remuneratória. Eles também irão desativar os telefones funcionais, entregar as 27 delegacias de polícia acumuladas ilegalmente até que seja aprovado o projeto de lei que regulamenta a matéria e suspender os plantões e sobreavisos no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) enquanto não forem corrigidos os valores da Remuneração Financeira Transitória Pelo Exercício da Atividade de Plantão.

Por não se tratar de movimento grevista, os delegados foram unânimes em definir que as investigações policiais e o serviço ordinário de atendimento ao público não serão suspensos. Levando em conta a importância da continuidade de diversas operações de investigação que envolvem a cooperação de variados departamentos e setores da Polícia Civil, sobretudo as encabeçadas pelo Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), foi retirada de pauta a proposta de entrega dos cargos de direção da Polícia Civil.

À tarde, os delegados apresentaram reivindicações ao vice-governador Belivaldo Chagas.