Sessão solene na Câmara dos Deputados homenageia os 19 mortos no massacre de Eldorado do Carajás e cobra reforma agrária

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 18/04/2017 às 00:21:00

Representantes de diversos movimentos sociais do campo e da cidade, entidades que lutam pela reforma agrária e pelos direitos humanos, parlamentares, embaixadores e artistas populares estiveram presentes à Sessão Solene, realizada no final da manhã dessa segunda-feira (17), na Câmara dos Deputados, para marcar o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. A sessão foi também uma homenagem aos 19 trabalhadores rurais sem terra que foram brutalmente assassinados no episódio que ficou conhecido como o massacre de Eldorado do Carajás, no Pará, ocorrido há 21 anos, quando foram mortos por policiais militares daquele Estado.

 A Sessão Solene foi uma propositura do deputado federal João Daniel (PT/SE), com apoio dos deputados Valmir Assunção (PT/BA), Marcon (PT/RS) e o líder da bancada, Carlos Zarattini (PT/SP). O deputado João Daniel lembrou que o 17 de abril faz referência a um dos episódios mais marcantes da história recente do Brasil que foi o massacre de Eldorado do Carajás e hoje também relembra que, há um ano, a maioria da Câmara autorizava a retirada da presidenta Dilma Rousseff com o único objetivo de proporcionar mais lucros para os ricos e a retirada de direitos da classe trabalhadora, apoio à grilagem, concentração de terras e o fim das políticas sociais.

“Hoje relembramos o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária e relembramos todos os mártires que deram sua vida para que a luta pela terra um dia possa ter uma verdadeira Reforma Agrária, já que a nossa história e nosso país tem essa dívida histórica e não há uma nação justa, e a nossa não será, enquanto não der tratamento que exige o respeito aos povos indígenas, quilombolas, sem-terra e posseiros, com o direito à terra, porque a terra é um bem da natureza e é a luta mais justa que podemos ter”, afirmou.

 A sessão solene teve a participação de artistas populares, como violeiros, a exemplo de Pereira da Viola, que executou o Hino Nacional. Durante a sessão, na mística feita por integrantes do Movimento dos Trabalhadores rurais Sem Terra (MST), cada um dos nomes dos mortos no massacre foi citado e homenageado, ao tempo em que foi cobrada punição de cada um dos culpados por esse crime, o que, mais de duas décadas, ainda não ocorreu.

 Em sua fala, o dirigente nacional do MST, Alexandre Conceição, afirmou que o Massacre de Eldorado do Carajás representa a ganância, a injustiça do latifúndio aliado ao capital nacional.