Alessandro minimiza pressões para deixar SSP

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Publicada em 18/04/2017 às 00:32:00

O feriadão da Semana Santa foi marcado por fortes especulações de que grupos políticos e empresariais estariam trabalhando nos bastidores para provocar a demissão do secretário de Segurança Pública, João Batista Santos Júnior, e do delegado-geral da Polícia Civil, Alessandro Vieira. Circulam informações de que o governador Jackson Barreto (PMDB), supostamente pressionado por aliados, teria decidido substituir Alessandro pela delegada Katarina Feitoza, que já dirigiu o órgão na gestão do então secretário João Eloy de Menezes. E que Batista entregaria o cargo hoje, sendo trocado em seguida por um nome de indicação política.

O objetivo, de acordo com tais boatos, seria enfraquecer o Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), responsável por apurar casos de corrupção que envolvem a participação de políticos e empresários locais. Ontem, estas informações foram minimizadas por Alessandro, que deu entrevistas em várias emissoras de rádio e televisão. Ele atribuiu os boatos ao “desconforto” causado pelo trabalho investigativo do Deotap e pelas operações já realizadas, como a ‘Babel’, a ‘Indenizar-se’ e os casos relacionados ao ‘Escândalo das Subvenções’. O delegado garantiu que estas investigações estão “concluídas” ou “muito avançadas”, com possibilidade de novas prisões e operações.

“O que temos de concreto é o fato de que essas investigações geram desconforto no meio político e não aconteciam em Sergipe, muito menos com essa velocidade e firmeza. Nós temos a clareza de que no Brasil, infelizmente, temos pessoas que ainda acham que polícia só deve ser para o pobre na periferia, e não para o rico que mora na [Avenida] Beira-Mar. Durante essa gestão, a gente deixou muito claro que isso não é verdade, porque a lei não faz esta distinção e a polícia também não vai fazer também. A polícia continua trabalhando”, garantiu o delegado-geral, citando que a Civil avançou na apuração de fraudes e saques ilegais cometidos em prefeituras do interior, dentro da força-tarefa que investiga os indícios levantados pela ‘Operação Antidesmonte’, do Ministério Público de Sergipe (MPSE) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Vieira também negou que tenha recebido pressões de Jackson Barreto ou de seus secretários para abortar ou enfraquecer investigações conduzidas pelo Deotap. No entanto, admitiu que o governador conversou com ele algumas vezes, mas para se inteirar das operações realizadas e pedir que todo o trabalho dos policiais fosse conduzido dentro da legalidade vigente. Sobre os boatos de que seria substituído por Katarina, Alessandro negou ter qualquer conhecimento disso e frisou que esta decisão cabe ao próprio governador.

Ele ainda defendeu a permanência da delegada Danielle Garcia na direção do Deotap, dizendo que não há motivos para substituí-la ou afastá-la apenas por pressões políticas. Danielle está à frente de grande parte dos inquéritos em andamento e tem sido alvo de críticas e pressões por parte de vários investigados nas operações. “Ela é uma pessoa que faz um trabalho correto. A função de qualquer um que se dispõe a chefiar uma instituição é garantir a segurança do trabalho de seus subordinados. O Deotap faz um trabalho primoroso, reconhecido até fora do estado, e não há cabimento de se fazer qualquer alteração ali, por motivação política ou qualquer que seja. Se houvesse alguma falha técnica ou ineficiência, a substituição seria feita naturalmente. No contexto de pressão política, não. Então, enquanto eu for o delegado-geral, efetivamente a substituição não irá acontecer”, garantiu Vieira.

 

Campanha – Os boatos de demissão de Alessandro e Danielle de seus cargos detonaram uma campanha na internet para pressionar o governador a desistir da ideia. O grupo Movimento Mova-SE criou no site ‘Petição Pública’ um abaixo-assinado virtual direcionado a Jackson, pedindo a manutenção dos delegados e a continuação das investigações e prisões contra políticos sergipanos envolvidos em escândalos de corrupção. “Não podemos deixar isso acontecer! Qualquer mudança no Comando da Geral da Polícia Civil e no Comando das investigações poderá compromete todo o trabalho feito e garantir a impunidade continue a reinar em nosso Estado”, diz a petição, que até a noite de ontem, teve 1.976 adesões.