‘Golpe do emprego’ pode ter lesado 500 vítimas

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Publicada em 19/05/2017 às 00:51:00

Gabriel Damásio

 

Bruno de Oliveira Silva Cardoso, 26 anos, e Daniel Gonçalves dos Santos, 27, foram presos por policiais da Delegacia de Defraudações e Combate à Pirataria (DDCP), acusados de aplicar um golpe que envolvia a oferta de falsas vagas de emprego, mediante o pagamento de cursos profissionalizantes. As prisões aconteceram anteontem à tarde no Centro de Aracaju e fazem parte da chamada ‘Operação Universidade do Crime’, que investigou o golpe. Os detalhes da investigação foram apresentados ontem pela Polícia Civil, em entrevista coletiva.

Segundo a polícia, a prática pode ter lesado mais de 500 vítimas, em sua maioria jovens de baixa renda, que eram pelas supostas vagas de emprego e acabavam induzidos a pagar taxas entre R$ 1 mil e R$ 1.500. A polícia confirma que o golpe era operado desde dezembro de 2016 pela empresa Projeto Jovem Trabalhador (Projotra), da qual Daniel é proprietário. De acordo com a delegada Rosana Freitas, do DDCP, Daniel e Bruno eram ex-funcionários de duas empresas que praticavam a mesma oferta de supostos empregos e foram fechadas após serem denunciadas: o Instituto Focus e a Universidade Corporativa, cujo proprietário fugiu de Aracaju e levou todo o dinheiro arrecadado nos supostos cursos. Estima-se que as firmas movimentavam cerca de R$ 100 mil por mês.

“As investigações começaram a partir do fechamento destas duas empresas, que faziam abordagens fraudulentas de jovens e garantindo vagas de emprego, sendo que o que estava sendo vendido ali, na verdade, eram cursos profissionalizantes de um valor significativo por uma aula semanal de duas horas e com a garantia de que esses jovens estariam empregados durante o curso, o que não acontecia. Por conta disso, começamos a receber e apurar várias denúncias. Em dezembro, houve o fechamento das empresas, mais 500 alunos ficaram sem aulas e os funcionários ficaram sem salários, sem carteira assinada e sem verbas trabalhistas”, disse Rosana, ao citar que a Projotra foi aberta logo após o fechamento da Focus e da Corporativa, mas com a mesma estrutura e o mesmo maquinário delas.

As firmas também tinham equipes de divulgadores que faziam as abordagens aos jovens nas ruas para ofertar as vagas e atraí-los para uma avaliação. “Só que nessa avaliação, praticamente ninguém passava e era oferecido um curso. Tivemos vários casos em que os alunos, ainda que maiores, eram orientados a comparecer nas empresas com os pais ou responsáveis, para que algum deles pudesse efetuar o pagamento com o cartão de crédito. Esses pais relataram em depoimento que foram enganados durante a celebração do contrato, porque eram informados que o curso custava uma parcela de R$ 130,00 e depois descobriam que o valor real era muito acima do estipulado inicialmente e que o mesmo já havia sido passado no cartão de crédito. Muitas vítimas tentavam fazer o estorno do valor, mas nem conseguiam”, relatou a delegada.

Ainda conforme o DDCP, o fechamento das empresas anteriores geralmente acontecia antes da concretização dos cursos e após antecipação dos pagamentos feitos em cartão de crédito. São investigadas ainda outras duas suspeitas: a de que a Corporativa e a Focus promoviam clonagens dos cartões de crédito usados pelas vítimas, através de maquinetas; e a de que o mesmo golpe vinha sendo praticado por integrantes do grupo em outras capitais, como Maceió (AL), Recife (PE) e Natal (RN). Por conta disso, a polícia procura por outras pessoas ligadas a Daniel e Bruno, as quais ainda estão foragidas. “São mais de 10 empresas ligadas a esse grupo, sempre envolvendo o nome de empresas tidas como ‘laranjas’, ou seja, que são de fora da atividade, mas têm o nome utilizado para isso”, confirma Rosana.

Daniel e Bruno foram indiciados por estelionato e os funcionários identificadas como participantes do esquema também poderão ser processados. As investigações continuam e terão a participação das polícias dos estados onde estas empresas foram abertas. As vítimas do golpe podem procurar a sede do DDCP, na Rua Laranjeiras, 960, Centro.