Presidente de papel

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Publicada em 26/05/2017 às 00:33:00

As vias legais para a deposição do presidente Michel Temer estão sendo percorridas por quem de direito, naturalmente, em respeito à ordem constitucional. Temer não vai ser derrubado, como desafiou em pronunciamento recente. Ele será deposto, como é preconizado na Carta Magna, por seus próprios feitos e méritos pessoais. Hoje, Temer não manda nada, perdeu as condições morais de governar o País. Hoje, Temer é um presidente de papel.

A Ordem dos Advogados do Brasil já protocolou pedido de impeachment do presidente Michel Temer na Câmara dos Deputados. No documento, a entidade argumenta que o presidente cometeu crime de responsabilidade e faltou com o decoro ao receber no Palácio do Jaburu o empresário Joesley Batista, dono da JBS, um dos investigados na Operação Lava Jato. Um fato já assumido de público pelo próprio acusado, sobre o qual não pesa a menor sombra de dúvida. Foi ele mesmo quem fez a cama onde terá de se deitar.

Nem o exército será capaz de evitar a deposição de Temer. O único obstáculo ao clamor popular é a fidelidade resistente do presidente da Câmara, o deputado Rodrigo Maia. Cabe somente a ele o desgaste de retardar a leitura do pedido de impeachment e abrir o processo necessário ao afastamento do presidente. A obstinação demonstrada até o momento, contra tudo e contra todos, assume ares de blindagem. Resta saber qual preço o deputado está disposto a pagar.

Agora que o balde da indignação popular transbordou, nem mesmo o apoio do mercado, maior interessado nas reformas defendidas por Temer, pode segurá-lo no cargo. A sua simples deposição, no entanto, não dará conta de conter a sede de representatividade da população. A possibilidade de eleição indireta, comandada por um Congresso Nacional desacreditado, sem a mais ligeira aproximação com os anseios do povo, tem potencial para reverter o feitiço contra o feiticeiro. A ver.