Sem apoio, Temer recua

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Publicada em 26/05/2017 às 00:34:00

Foi a pior possível a repercussão do ato do presidente Michel Temer em baixar decreto, na última quarta-feira, autorizando o uso das Forças Armadas para garantia da lei e da ordem em Brasília após manifestação organizada por sindicatos e movimentos sociais por “Diretas Já” e contra as trabalhista e previdenciária. O decreto previa a presença dos militares nas ruas até o dia 31 de maio.

Ainda na quarta-feira, mediante a ampla propagação negativa do seu ato político, o governo Temer passou a informação que a convocação das Forças Armadas foi a pedido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Logo que tomou conhecimento, o próprio Rodrigo Maia concedeu entrevista à imprensa desmentindo o governo. “A decisão sobre o decreto foi do governo. Ao presidente da Câmara cabe a garantia da ordem no prédio e no entorno, a segurança daqueles que frequentam o Parlamento e dos deputados e deputadas. Esse pedido eu fiz ao presidente, e reafirmo que fiz, mas se a decisão do governo foi além da Força Nacional da Segurança Pública, foi uma decisão que cabe ao governo, não cabe à presidência da Câmara”, disse.

Maia desmentiu ainda o ministro da Defesa, Raul Jungmann, que, em pronunciamento para anunciar a convocação das Forças Armadas, afirmou que o decreto havia sido editado a pedido do presidente da Câmara. “Pedi ao líder do governo que procurasse o ministro da Defesa, para que esclarecesse os fatos e pudesse recompor a verdade”, afirmou.

Por causa do decreto, a sessão da Câmara chegou a ser suspensa na quarta-feira (24), devido à reação da oposição, que depois deixou o Plenário. “Estamos inaugurando uma nova fase na história do Brasil. Para reprimir uma manifestação popular, colocam o Exército na rua. Isso é um retrocesso com o qual não podemos compactuar”, disse o líder do PT, deputado Carlos Zarattini (SP).

No Senado, o clima também foi ruim. O representante dos partidos de oposição, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) considerou inconstitucional o decreto. “A convocação dos militares só pode ser feita após esgotar todas as opções de garantir a segurança pública com as polícias. E convocar as Forças Armadas precisa da anuência do Congresso”, disse Randolfe.

Alegando questão de ordem, senadores cobraram, em plenário, um posicionamento do Congresso Nacional diante do decreto assinado por Temer.

Diante de todo esse cenário de indignação, inclusive dos sergipanos, com a convocação das Forças Armadas por esse governo impopular de Temer, que remete o país a um retrocesso típico dos anos da ditadura militar, o governo revogou o decreto que autorizava o uso das Forças Armadas para reforçar a segurança em Brasília. A sua publicação foi publicada no Diário Oficial da União de ontem, ou seja, o governo baixou o decreto na quarta-feira e na mesma quarta-feira mandou publicar a sua revogação.

A grande expectativa do povo brasileiro racional é que o ato político insano do presidente represente os últimos momentos do governo ilegítimo de Temer, que não tem mais como se segurar...

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Ponto de vista 1

O deputado federal Valadares Filho (PSB-SE) achou um exagero o decreto já revogado do presidente Temer sobre a convocação das Forças Armadas para garantir a ordem em Brasília. “Foi desproporcional, apesar de defender que as manifestações sejam pacificas. O que vimos nessa quarta-feira foram momentos de vandalismo de pessoas que queriam bagunçar a vida pública, invadindo órgãos públicos. O decreto não é democracia, mas exagero até porque não está comprovado que a Polícia Civil e a Polícia Militar não estavam fora de controle. Até o governo do Distrito Federal ficou surpreso, pois tinha o efetivo para controlar a manifestação”, afirmou.

 

Ponto de vista 2

Valadares Filho admite que o clima está muito tenso no Congresso Nacional. “Tem muita articulação sobre um futuro possível governo, mediante o julgamento do Supremo Tribunal Federal no dia 6 de junho, da chapa Dilma/Temer. O PSB defende Diretas Já, mas sabemos da dificuldade de ser aprovada no governo. O mais provável é termos eleições indiretas, mas o Supremo pode decidir por eleições diretas, como vai acontecer no Amazonas”.

 

Posição da CNBB 1

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, disse ontem que não há a mínima condição ética para que Michel Temer continue no cargo, após as revelações da JBS. "Nós pensávamos que o pior já tivesse passado. Claro que se podia esperar alguma coisa de alguém que está há tanto tempo na política e num partido que também vinha sendo acusado na Lava Jato, mas não nesse montante", afirmou, enfatizando que defende que a escolha do substituto de Temer deve passar pelo povo.

 

Posição da CNBB 2

Disse ainda o bispo que o agravamento da crise política deve paralisar o andamento das reformas Trabalhista e da Previdência. "Como podem pessoas que estão tão envolvidas na Lava Jato decidir os destinos da população brasileira? Depois, há a necessidade de maior diálogo com a sociedade em relação, por exemplo, à [reforma da] legislação trabalhista. Sobre a terceirização, não houve diálogo. Sobre a reforma da Previdência, até agora não se mostraram os dados reais. Fala-se em déficit, mas como funciona a Previdência brasileira? É preciso debater muito mais", avalia.

 

Comemorando pesquisa 1

Aliados do governo Jackson Barreto comemoraram pesquisa de intenção de voto para governador em 2018, realizada pelo Instituto Paraná e divulgada anteontem à noite pela TV Atalaia, em que o vice-governador Belivaldo Chagas (PMDB) aparece com 11,7% e 13,6% em dois cenários: um com o nome do senador Antônio Carlos Valadares (PSB) na disputa e outro com o nome do senador Eduardo Amorim (PSC). 

 

Comemorando pesquisa 2

A satisfação é porque em outubro de 2013, o então candidato a governador Jackson Barreto tinha apenas 10,4% das intenções de votos e Belivaldo, há 18 meses das eleições, tem um percentual maior do que tinha JB, que foi vitorioso nas eleições de 2014. O otimismo também tem a ver com o fato de Belivaldo ter crescido 100% este ano, em razão de uma pesquisa no começo de 2017 ter mostrado ele com apenas 6% das intenções de voto.

 

Clima de apreensão

Pela oposição existe um temor com relação aos senadores Valadares e Eduardo Amorim liderarem as pesquisas para o governo, tendo o socialista 47,2% das intenções de votos em um cenário e o tucano 40,2% das intenções de votos em outro cenário. O receio é se mais na frente um vai querer abrir para o outro ou se vão se confrontar.

 

Espanto

A grande surpresa da pesquisa do Instituto Paraná foi o deputado federal André Moura (PSC) aparecer empatado tecnicamente com Belivaldo Chagas para o governo. Como líder do governo no Congresso Nacional, cargo que lhe dá grande projeção e respaldo político, André era para ter uma intenção de voto expressiva e não os 15% que aparece na pesquisa. Em uma roda política ontem, o entendimento é que esse percentual do parlamentar tem a ver com a impopularidade do governo Temer, mas que na disputa pela reeleição Moura será muito bem votado.

 

PSDB na TV 1

Hoje será exibida uma nova inserção do PSDB Sergipe no horário nobre da TV. O presidente estadual do partido, senador Eduardo Amorim, destacará o compromisso do PSDB em trazer mais Saúde para os sergipanos. O senador vai pontuar algumas das diversas emendas já destinadas para o Hospital do Câncer e outras unidades do estado, a exemplo do Hospital Universitário. O parlamentar também falará da chegada de uma clínica do Hospital de Barretos em Sergipe, que beneficiará mais de 500 mil mulheres.

 

PSDB na TV 2

Em uma outra inserção do partido tucano, que também vai ao ar nesta sexta-feira, o prefeito Painho (PSDB) destacará o fortalecimento da Saúde no município de Feira Nova graças à administração tucana. Painho também falará como o partido pretende fazer o mesmo em todo o Estado. Já o prefeito de Itaporanga D'Ajuda, Otávio Sobral (PSDB), ressaltará o trabalho que vem sendo realizado pela gestão do PSDB no município e convida os sergipanos a ingressar no partido.

 

Alfinetando a Estre

O presidente afastado da Emsurb, ex-deputado federal Mendonça Prado, não perdeu a oportunidade de alfinetar a Estre Ambiental após ler nota publicada na coluna Esplanada dizendo que a empresa, cujo um dos donos, André Esteves, está preso pela Operação Lava Jato, faturou cerca de R$ 700 milhões em contratos com a Petrobras de 2010 a 2014, sendo a maior parte dos serviços para fazer limpeza em plataformas da estatal. Disse Mendonça: “Estre Ambiental sempre envolvida em questões nebulosas. Foi esse grupo econômico que deu início às perseguições contra mim em Aracaju”. Revelou ainda: “Olha a Estre aí! Que empresa respeitável”.

 

Veja essa...

Do deputado federal Fábio Mitidieri (PSD): “Pesquisa do Instituto Paraná aponta que a população aprova a gestão de Edvaldo Nogueira. Aí a oposição vai para a rádio e tudo que ouço é BUÁ, BUÁ, BUÁ. Se a oposição chorar mais, Aracaju alaga novamente e meu prefeito Edvaldo Nogueira vai ter que usar galocha novamente”.

 

 

 CURTAS

Pessoas feridas durante as manifestações realizadas na quarta-feira, em Brasília, encontram-se ainda hospitalizadas no Hospital da Base de Brasília.  Parlamentares do PT, dentre eles, o deputado federal João Daniel, visitaram ontem os doentes e lamentaram que entre as vítimas tem pessoas desaparecidas, como Rafael Esteves, de 27 anos, do Rio de Janeiro.

 

O senador Eduardo Amorim proferirá hoje palestra no 1º Congresso Sergipano Multidisciplinar da Dor, no Hotel Radisson, em Aracaju, que tem como tema “Ampliando Conhecimento: Tratamento Interdisciplinar e Intervencionista da Dor”. Na oportunidade, falará sobre a sua especialidade médica e a relação com as dores sociais da população.

 

No próximo dia 30 de maio a Executiva Nacional do PPS, com a participação da bancada no Congresso Nacional, vai se reunir em Brasília, na sede da legenda, das 10h às 14h.

 

Segundo o presidente do partido em Sergipe, Clóvis Silveira, a reunião vai discutir o governo de transição, o papel do partido no governo, as reformas em tramitação no Congresso Nacional e orientações sobre os trabalhos do 19º Congresso Nacional do partido, que será realizado em dezembro.