O coração horrendo do prefeito Doria

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Pobre São Paulo. Foto: Divulgação
Pobre São Paulo. Foto: Divulgação

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Publicada em 31/05/2017 às 00:37:00

Rian Santos - riansantos@jornaldodiase.com.br

 

Uma imagem para mil palavras. Entre as galochas do prefeito Edvaldo Nogueira e o coração disforme do presidenciável João Doria, no entanto, há mais discrepância do que semelhanças – contra todas as aparências. 

Assumida ou não, a estratégia é a mesma: lançar enunciados sucintos e poderosos, “louder than bombs”, ultrapassar a muralha normativa dos pontos e vírgulas, encarnar na presença física do gestor o discurso elaborado na sua própria fala. Mais das vezes, um tiro certeiro. Em outras, a carga sai pela culatra. 

Mais importante do que apontar o sucesso da interlocução pretendida entre os referidos gestores e os cidadãos/contribuintes/eleitores das duas cidades brasileiras, entretanto, é vislumbrar o rumo apontado pela postura dos personagens públicos envolvidos na peleja. Uma sanha higienista, tendo em vista os extratos mais conservadores da sociedade, na paulicéia desvairada. A ansiedade de um servidor público, doido para prestar contas e mostrar serviço, apesar de todos os pesares, na terra dos cajueiros e papagaios. 

Uma comparação inevitável, desde quando o prefeito Edvaldo Nogueira resolveu dar entrevista de galochas entre as quatro paredes de um estúdio de televisão – desde já a imagem mais infeliz de toda a sua trajetória política. Entre o impulso de silenciamento do mauricinho Doria, em prejuízo do exercício artístico próprio da maior cidade da América Latina, e a disposição manifesta de Edvaldo Nogueira em afirmar a sua disposição para o trabalho, contudo, há um abismo imenso (com o perdão da redundância). 

Pobre São Paulo. Esta semana, depois de cobrir a cidade inteira de cinza e deter pelo menos 131 pessoas sob a acusação de pixo (leia-se vandalismo), João Doria visitou a zona norte para pintar um coração horrendo em um muro escolhido a dedo, bem longe do centro da cidade. Ali, no gueto, pode. No Tucuruvi, assim entende o prefeito, qualquer rabisco tosco pode ser chamado arte.