Erro de cálculo

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Publicada em 01/06/2017 às 00:33:00

Nada como um dia depois do outro. O principal trunfo do ainda presidente Michel Temer se converteu em mais um dos lobos a lhe morder os calcanhares. Os sinais esperados de recuperação econômica não vingaram, apesar das reformas atropelando tudo no Congresso Nacional, surdas ao clamor popular e o grito das ruas. Sem reflexos desejáveis no mercado, a estratégia traçada na ponta do lápis resulta em um magnífico erro de cálculo.

A taxa crescente de desemprego é dos índices mais famintos, ameaçando cravar os dentes na famélica popularidade de Temer. A desocupação no país foi estimada em 13,6% no trimestre móvel encerrado em abril, ficando 1 ponto percentual acima do percentual apurado do trimestre imediatamente anterior (novembro a janeiro), quando havia fechado em 12,6%. Os dados foram divulgados ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Pnad Contínua.

Além do desastre técnico, reafirmado pelos dados trazidos à luz de maneira insistente, um mês depois do outro, pelo IBGE, o presidente ainda está obrigado a lidar com uma imensa rejeição popular e uma acusação formal acolhida em inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal. Mesmo com todas as vitórias conquistadas com muita habilidade política no congresso, nunca navegou um mar de rosas o governo do presidente Temer.

Apesar das evidências em sentido contrário, Temer insiste na defesa das reformas e se agarra ao discurso liberal como a uma tábua de salvação. Aparentemente, não bastará para salvar a sua triste biografia política do vexame. Com a renúncia descartada pelo próprio presidente, sua deposição é o único desfecho desejável no horizonte escuro do Planalto.