São José de Ancheita

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Publicada em 08/06/2017 às 08:28:00

Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB

 

Gostaria aqui de fazer algumas indicações sobre São José de Anchieta, Presbítero e Apóstolo do Brasil, cuja festa a Igreja Católica celebra amanhã, 09/06. 

“Quanto à língua, eu estou nela um tanto adiante, ainda que é muito pouco para o que soubera, se me não ocupara em ensinar gramática. Todavia tenho toda a maneira dela por arte” – escrevia Padre Anchieta aos seus irmãos Jesuítas de Coimbra em 1555. No ano seguinte, o Pe. Manoel da Nóbrega voltava para a Bahia e já levava consigo “A Arte da Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil” (uma versão manuscrita), escrita por Anchieta, e impressa em Coimbra apenas em 1595. Foi ele o primeiro missionário do Brasil a falar a língua dos nativos. Já o Pe. Nóbrega, vindo para o Brasil em 1549, achava que a língua dos indígenas era incapaz de exprimir os conceitos necessários para a evangelização. Escrevia para a Europa: “São eles tão brutos que têm mui poucos vocábulos para lhes poder bem declarar nossa fé”.

Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, dia de São José – daí seu nome – em Laguna, nas Ilhas Canárias, possessão espanhola. Quando estudava Filosofia em Coimbra, entrou na Companhia de Jesus, sendo aparentado com o fundador dos Jesuítas, Inácio de Loyola. Veio para o Brasil, ainda seminarista, em 1553. Ensinou Latim na escola de Piratininga, fundada por ele e Pe. Nóbrega no dia 25 de janeiro de 1554, festa da conversão de São Paulo, data considerada como a da fundação da cidade de São Paulo.

Com o mesmo Nóbrega, ficou refém em Iperoig para conseguir a pacificação entre índios e portugueses. Conta-se que, prisioneiro dos índios, enquanto Nóbrega voltava a Piratininga para negociar com os portugueses, ao cair da noite, os caciques levaram suas filhas para que escolhesse alguma para dormir com ele. Foi nesta ocasião que escreveu em Latim, nas areias da praia, em agradecimento a Nossa Senhora, seu “Poema à Virgem”, que ele memorizava cada dia, para passá-lo depois para o papel, em São Vicente.

Ordenado sacerdote na Bahia em l566, foi provincial das casas da Companhia de Jesus em São Vicente, São Paulo e Espírito Santo. Deixou vários escritos em língua Tupi, Português, Castelhano e Latim. Na província do Espírito Santo, fundou a vila de Iriritiba (hoje, Anchieta), onde morreu aos 63 anos, em 9 de junho de 1597.

O processo de canonização começou em 1617 e só em 22 de junho de 1980 o Papa São João Paulo II o declarou bem-aventurado. Finalmente, o Papa Jesuíta Francisco fez a chamada canonização equivalente, por um decreto, assinado no dia 3 de abril de 2014, em audiência privada com o Cardeal Amato, que lhe apresentou formalmente o processo de canonização para receber a aprovação papal, e no dia 24 de abril do mesmo ano, na Igreja chamada do Gesú, em Roma, dedicada a Santo Inácio de Loyola, o Papa Francisco celebrou solene Liturgia de Ação de Graças pela canonização do Apóstolo do Brasil.

Concluo com esses versos de seu maravilhoso 'Poema à Virgem': “Que o Espírito de amor com seu fogo celeste / caldeou e, pura assim, toda ouro te fizeste! / Cresceu-me a reta fé desde a mais tenra idade, / por dádiva do Filho e maternal bondade!”. 

 

Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió

(foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)

dedvaldo@salesianorecife.com.br