Com a corda no pescoço

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Publicada em 09/06/2017 às 07:46:00

O trabalhador brasileiro é, em geral, bom pagador. Se o índice elevado de inadimplência demonstra o contrário, a razão deve ser creditada mais aos tropeços na condução da economia do que à irresponsabilidade na administração do orçamento doméstico. Quem está acostumado a pegar no pesado, não gosta de ficar devendo nada a ninguém.

 Assim demonstra pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL). Segundo o levantamento, a maior parte dos trabalhadores que sacou dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) usou os valores para quitar dívidas.

 O levantamento aponta que 38% pagaram dívidas em atraso e 4% usaram o dinheiro para pagar uma parte das pendências. O dinheiro foi usado para despesas do dia a dia por 29% dos entrevistados. Já 19% optaram por poupar. Outra parcela - 14% - pagou contas não atrasadas, como crediário e prestações da casa ou do carro e 13% fizeram compras.

 Os números traduzem uma realidade que os comerciários estão carecas de conhecer: Falta dinheiro na praç       a. Mas ninguém culpe a massa trabalhadora pela retração ora observada no consumo, com os reflexos naturais na geração de receita para os cofres públicos e a oferta de crédito. O brasileiro pode até estar devendo, com a corda no pescoço, e não nega. Mas paga sempre assim que puder.