Memória embargada

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 10/06/2017 às 00:41:00

Longe vai o tempo quando o início de uma obra financiada pelos cofres públicos tinha dia e hora para ser entregue à população, devidamente concluída. Hoje, a regra consagrada pela prática é bem outra. Inaugura-se a pedra fundamental. Depois ninguém sabe.

Não é inédito o fato reclamado pelo vereador Iran Barbosa, portanto. O abandono do Memorial Marcelo Déda, anunciado com pompa e circunstância, depõe não apenas contra a memória dos sergipanos mas, sobretudo, contra a competência dos entes municipais, aparentemente incapazes de levar um projeto dos mais simples a efeito.

A Indicação apresentada na Câmara de Vereadores de Aracaju solicita a retomada das obras. Iran Barbosa lembra que o Termo de Outorga de Cessão de Uso celebrado entre o Instituto Banese e a Prefeitura de Aracaju, em 13 fevereiro de 2015, autorizou a construção do monumento em uma área do Parque da Sementeira onde está a árvore da espécie Pau Brasil plantada em 2005, por Marcelo Déda em pessoa, e a sua esposa, a vice-prefeita de Aracaju Eliane Aquino. O período estimado para a conclusão da obra expirou no primeiro semestre de 2016.

À parte as questões de natureza jurídica e econômica, relacionadas ao desperdício implicado em obras eternamente inacabadas, há ainda razões de ordem política, social e até cultural para dar ouvidos à justa reclamação ora realizada na Câmara. A memória embargada dos sergipanos carece, sim, de monumentos capazes de promover a ligação sensível entre história e a experiência cotidiana. Marcelo Déda faz falta. Cabe, portanto, ao poder público municipal tocar a obra em favor da identidade e auto estima de todos os sergipanos.

-

A memória embargada dos sergipanos carece, sim, de monumentos capazes de promover a ligação sensível entre história e a experiência cotidiana