Em flagrante delito

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A MINHA ZEZÉ ESTAVA BEM DECIDIDA NOS SEUS DEVANEIOS DE AMOR
A MINHA ZEZÉ ESTAVA BEM DECIDIDA NOS SEUS DEVANEIOS DE AMOR

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Publicada em 28/08/2012 às 03:21:00

Este mundo é realmente igual a uma frágil donzela violentada e abandonada. A maioria das pessoas casadas não aprendeu nem ao menos gostar um do outro. Talvez, se pudéssemos criar um sociedade onde homens e mulheres jovens fossem educados para apreciar um ao outro como pessoas tolas e falíveis, e a fazer sexo com naturalidade a partir da puberdade, no fim da vida eles não terminariam numa tal massa de inibições e frustrações.

Assim eu raciocinava mentalmente enquanto Maria José estava ajoelhada aos meus pés. De olhos fechados, juntou-se a mim com um olhar de espanto e mistério - estávamos sozinhos na minha casa -, balançando levemente de um lado para o outro. Eu podia sentir o volume do estômago dela acariciando o meu.
- Gosto do modo como você me olha; - ela disse.
- Quem somos Zezé? Será que vivemos uma outra vida depois desta? È errado estar aqui, eu e você, nos amando, traindo a confiança da tia Chiquinha? E se ela chegar de repente, qual será sua reação?
- Não pensemos nisso agora, querido. Você nunca teve o menor escrúpulo quanto a isto.
- Você tem razão, Zezé... no ato de amor com você, devo morrer para mim mesmo, sendo momentaneamente transformado em você. Nada mais importa com todo o respeito que eu tenho à minha tia Chiquinha.

Era noite de quinta-feira, um feriado. A tia Chiquinha estava no centro espírita, ia demorar. Os dias quase haviam perdido suas identidades... uma fluente fusão de tempo e amor que à primeira vista parecia ilimitada. O tempo, que de início havia pingado lenta e confidencialmente, de súbito passava sibilante, impulsionando os ponteiros do relógio, para nosso desassossego. Que bom se tivéssemos um lugar só para nós, pensei.

A minha Zezé estava tão decidida nos seus devaneios de amor que não lhe passava pela cabeça que brincava de sexo na casa de uma religiosa, idosa de 65 anos. Mas, bom mesmo era observá-la, despida, à luz do candeeiro a querosene - a casa não tinha energia elétrica -, com os seus seios em ritmo natural, à medida que os seus olhos transbordavam de amor.

Deitada ao meu lado, Zezé recordou cada vez que havíamos feito sexo nos últimos seis meses.
- Compreendo... você está se sentindo melancólica. Eu também, um pouco. Precisamos de maior continuidade em nossos relacionamentos.
- Se você me desse mais atenção do que às suas raparigas, isso seria muito fácil, não é mesmo?
- Ah, não, Zezé, cenas de ciúmes, agora? É melhor parar, certo? - Falei com autoridade, embora no fundo lhe desse razão. Ela não disse nada por um momento e depois, falou:
- Se este momento se prolongasse por dez anos ou mais, o nosso ímpeto sexual jamais diminuiria.
- Dentro de vinte anos, ou trinta, talvez, minha Zezé, se tudo o que conseguirmos for aquecer um ao outro, será interessante relembrarmos das nossas capacidades perdidas.

E em seguida, quase esquecidos da razão porque ali permanecíamos sentindo-nos lânguidos e venturosos, estávamos grudados um no outro e, efetivamente, surpreendentemente e inacreditavelmente, dando continuidade ao jogo do amor que nunca tem hora pra terminar...
As palavras sussurradas e o contato recíproco não tinham importância consecutiva. O que tinha de fato significado era a maravilha de nós mesmos e a própria consciência delicada de cada um de nós como um só.
De repente, ruído na fechadura. Era a tia Chiquinha que chegava mais cedo do centro espírita.
- Santo Deus!... estamos pelados como pintos e o quarto não tem porta! - Sussurrou Zezé, assustadíssima, tal e qual uma menininha flagrada pela mãe, no banheiro, a se masturbar. E saltou serelepe para fora da cama.

O sonho de amor havia se transformado no que imaginávamos ser um pesadelo. Estávamos nus como um palco vazio e iluminado. Para surpresa nossa, tia Chiquinha bondosamente falou:
- Sinto muito, meus filhos...
E deu um lençol a Zezé. Vesti rapidinho o meu calção e disse, com um sorriso amarelo: "Agora eu sei o que é ser apanhado em flagrante delito". (Extraído do meu livro de memórias inédito, "Raparigas e Cafetinas da Minha Adolescência em Aracaju")

Vingança
"Minha vingança é que desde Homem-Aranha eu nunca mais vi filme de super-herói e não sinto a menor falta. Já tenho mais que 11 anos de idade, afinal". - Fernandes Meirelles, cineasta - revista Set, edição de agosto/2012.

Geleia Geral
... Até dezembro, o Shopping Prêmio,em Socorro, zona metropolitana de Aracaju, deverá estar inaugurando suas quatro salas de cinema, todas moderníssimas e hiperconfortáveis, no estilo stadium, com um diferencial: uma delas será cine-teatro. Aplausos para a direção do Prêmio. De pé!

... Num papo descontraído com a artista plástica Dionéa Paterson, via telefone - ela vive praticamente reclusa em seu apartamento - fiquei sabendo do seu desejo de voltar para a Bahia, sua terra natal e de todos os santos também. Ela foi exonerada do serviço público estadual após muitos anos de atuação na Biblioteca Infantil Aglaé D'Ávila Fontes. Vai ser difícil pra gente viver aqui sem os girassóis da Dionéa...

... Não dá pra entender porque o Brito Júnior quando chama os comerciais durante o reality show "A Fazendo", insiste em dizer sempre "já voltamos", quando o certo seria "já voltaremos" ou "Logo estaremos de volta". A Record deveria contratar a professora Wilma Ramos pra dar umas lições pro "fazendeiro"...