Sem vida fácil

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Publicada em 18/06/2017 às 00:01:00

Um secretariado formado por critérios técnicos, a salvo de interferências de ordem política e partidária, serve bem não apenas ao gestor de plantão, responsável por sua nomeação, mas, sobretudo, ao conjunto da sociedade. A fórmula não é infalível, está naturalmente sujeita às circunstâncias. Quanto mais adversas forem estas, no entanto, maior a necessidade de um corpo de servidores públicos capacitados para o enfrentamento. Acerta o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, portanto, ao decidir de antemão por um quadro técnico para assumir a Secretaria de Saúde de Aracaju.

O nome ainda não foi anunciado, mas as diretrizes estão postas. Uma escolha que implica em consequências, a exemplo da necessária autonomia do nomeado na condução das políticas públicas do setor. O desligamento do médico André Sotero, contudo, foi sucedida por especulações de toda ordem, alimentadas pelas declarações do antigo colaborador. Segundo este, forças ocultas, sem nome próprio, estariam trabalhando contra a direção de Secretaria.

Curioso é que a crise tenha se dado justamente em uma pasta cuja gestão vem sendo marcada por um forte embate de cunho político. Ainda viva na lembrança, a greve promovida pelo Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed), logo nos primeiros dias da gestão Edvaldo Nogueira, ultrapassou todos os limites razoáveis. Valeu tudo para politizar as pendências entre as partes envolvidas, inclusive penalizar a população.

Não será fácil a vida do futuro gestor da saúde municipal, assim como não tem sido fácil a vida do prefeito Edvaldo Nogueira. O debate político poucas vezes foi tão mesquinho. Uma gestão estritamente técnica, orientada para a assistência aos mais necessitados, é a única forma de blindar gestor e secretaria. Pouco importa quem seja o escolhido, o seu nome tem de ser trabalho.