Estância: a programação junina e a mídia local

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Publicada em 20/06/2017 às 08:04:00

José Domingos Machado Soares (Dominguinhos)


O radialista e apresentador, Luis Carlos Dussantus, propôs no seu programa diário Dia a Dia Notícias, na Mar Azul FM, uma espécie de trégua junina. Registrou a beleza e grandeza da festa para a formação da identidade estanciana.

A atitude do cidadão, que também é ator e diretor de teatro, é sinônimo de respeito e zelo pela tradição cultural da terra de Judite Melo e Miguel Viana. É compromisso puro com as manifestações folclóricas desse cantinho do mundo.

Por aqui, o mês de junho é realmente tempo sagrado. A cidade muda completamente. Há uma relação ancestral com a celebração. Nada impede que isso aconteça. Nada! Nem crise econômica! Nem a incompetência de gestor de plantão! O povo faz a festa!

Todavia é necessário refletir sobre a diferença abissal que existe entre o conteúdo e a forma como a atual gestão vem tratando o tema na imprensa local. O repertório publicitário é totalmente diferente da programação real.

As técnicas de repetição e supervalorização de alguns aspectos relativamente positivos em detrimento de outros negativos lembram regimes de triste memória para a história da humanidade. Tem repetição que chega a mais de cem vezes!

A turma da administração liderada por um prefeito que quando deputado homenageou o  “barco de fogo”cometeu um erro crasso, que foi a realização de uma “salva junina” sem o referido artefato pirotécnico. O marketing escondeu!

Outra observação que não quer calar é a quantidade de dias com atividades reais. Este ano o município não terá uma programação de trinta dias. O centro da cidade ainda não respira a cenografia típica dessa época.

Até que fim a crise que atinge o país há pelo menos dois anos finalmente chegou a Estância. Essa agora é a argumentação cantada em verso e prosa para justificar a programação de dois dias no Forródromo Rogério Cardoso.

A imprensa chapa branca acha isso lindo e se derrete em editoriais e comentários radiofônicos elogiosos. Cotidianamente, asseclas ocupam veículos para dizerem que nunca viram um São João tão bom. Detalhe: ainda não se alcançou o dia 24.

Pra quem falou tanto em capacidade e competência à frente da prefeitura, inclusive que “uma nova Estância ia nascer”, a programação oficial é muito aquém das expectativas. Mas quem tem hegemonia na mídia constrói a sua verdade.

Uma coisa está clara nesses mais de cinco meses de gestão. O prefeito Gilson Andrade é um excelente comedor de galinha de capoeira na zona urbana e nos povoados, mas como administrador municipal é refém da sua própria arrogância.

 

José Domingos Machado Soares (Dominguinhos) é professor da Rede Estadual e Presidente do PT de Estância.