Valadares anuncia rompimento com o Governo Temer

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Publicada em 27/06/2017 às 00:00:00

O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) emitiu comunicação oficial ao presidente da República, Michel Temer (PMDB), reafirmando rompimento e consequente afastamento da base do Governo Federal no Congresso Nacional. “Sou um homem transparente e muito decidido. Não deixo que os outros decidam em meu lugar. Eu não sou um oportunista. Eu fui ao governo de boa fé e não achava que essas reformas seriam apresentadas, até por ser um governo de transição”, revelou o senador, durante entrevista na Mix FM, na manhã desta segunda-feira (26).

O senador sergipano entrega cargos e antecipa posicionamento contrário à reforma trabalhista, com votação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado prevista para a próxima quarta-feira (28). Ele revela já ter apresentado 12 emendas, com o objetivo de corrigir o texto original da proposta.

Valadares esclareceu que ao decidir participar da base aliada ao governo Temer, jamais foi condicionado a votar pela aprovação das reformas Trabalhista e Previdenciária no Congresso Nacional. “Um governo que tinha pouco tempo, esperava apenas que ele tocasse o governo, iniciasse a reforma política, fizesse a retomada da economia e a reativação dos postos de emprego”, argumentou.

 “Já que hoje a condição sine qua non para participar do governo é votar nas duas reformas -Trabalhista e Previdenciária - eu saio do governo. Prefiro sair do governo, mesmo porque não foi o combinado participar da administração, tendo como condição votar em duas reformas que eu considero, não só impopulares, como inoportunas, uma vez que se trata de um governo de transição”, reafirmou, autorizando as publicações dos dois comunicados emitidos por ele, desde 30 de abril, ao presidente da República.

Questionado sobre a participação no governo e a iminência de exoneração de pessoas indicadas para participar da administração federal, Valadares lembrou que desde o  último dia 30 de abril, após aprovação da Reforma Trabalhista na Câmara dos Deputados, já havia emitido comunicação ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, colocando todos os cargos à disposição do presidente da República, quando também manifestou discordância com os métodos truculentos adotados pelo governo, ao exonerar indicações de deputados federais que votaram contrário ao projeto, como forma de ameaçar antecipadamente os senadores. (Leia as íntegras das correspondências enviadas pelo senador sergipano ao ministro da Casa Civil, em 30 de abril de 2017, e ao presidente da República, emitida em 25 de junho de 2017).

Ele fez questão de esclarecer que o nome da técnica Kênia Ascenko Marcelinho, indicado à presidência da Codevasf Nacional, foi uma sugestão dele à bancada do PSB no Senado, obtendo assinatura da maioria, sendo aprovando por cinco dos sete senadores do PSB. Ele informou que a bancada do PSB também fez indicações para outras funções na estatal.  “Temos outras funções, que foram indicadas pelos nossos senadores. Uma média de 8 cargos não indicados só por mim, mas também por senadores da nossa bancada”.

 “Na verdade, nós entregamos os cargos desde 30 de abril quando da decisão do governo de apresentar as reformas sem uma discussão prévia. Ela (Kênia Marcelino) está preparada para o que der e vier. Logicamente que os projetos principais, que nós tínhamos responsabilidade de tocar em benefício de Sergipe quando assumimos a Codevasf, já foram tocados. Como, por exemplo, a emenda de R$ 100 milhões, dos quais foram contingenciados alguns recursos, embora a primeira etapa, da ordem de R$ 43 milhões, já está sendo realizada uma licitação pública pela Codevasf Nacional. Essa é uma ação irreversível por se tratar de emenda impositiva”, tranquilizou.