Intolerância

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Publicada em 27/06/2017 às 00:34:00

Se a vida de um casal homoafetivo, em qualquer lugar do mundo, ainda está longe de ser moleza, o fim da história no Brasil é muitas vezes criminoso e violento. Aqui, a comunidade GLBT morre na bala, na ponta da faca, por força de pauladas e asfixia. Foi assim com a transexual Denise Sollony, assassinada dentro de casa, no Augusto Franco. De acordo com a polícia, mais um crime de ódio.

A notícia dá a impressão de que existem dois lugares sob o mesmo batismo. Há o Brasil do papel, no qual os princípios de igualdade são resguardados pela Constituição Federal. E há também o País de verdade, povoado de preconceito, racismo, machismo, homofobia, todo tipo de intolerância, em suma, onde a convivência entre os diferentes é resolvida no braço, mediante o emprego da força.

Felizmente, às vezes as leis caminham à frente dos homens. “O Supremo Tribunal Federal (STF) em cumprimento à Constituição, encontrou elementos para combater um preconceito dos mais odiosos e proclamou o valor do pluralismo como um dos fundamentos da República”. Foi assim que o então ministro Carlos Ayres de Britto, relator do processo que, em 2011, reconheceu as uniões homoafetivas como entidades familiares, definiu a importância dessa decisão histórica do STF.

O voto do ministro teve 49 páginas e foi marcado por passagens em que afirmava que o sentido humanitário da norma, em favor das liberdades individuais. “O sexo das pessoas, salvo expressa disposição constitucional em contrário, não se presta como fator de desigualação jurídica”, resumiu a questão. Já não se fazem ministros do Supremo como antigamente.

O caso da travesti assassinada no fim de semana em Aracaju, soma-se aos 80 já registrados este ano, Brasil afora. Sinal de que o investimento em educação é a única esperança de convivência na diferença. Não há como por fim ao ódio por força de decreto.