Um presidente único

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Publicada em 28/06/2017 às 07:39:00

Michel Temer é um presidente único na história do Brasil. Trata-se, para início de conversa, do primeiro presidente acusado formalmente no exercício do mandato, o de menor índice de aprovação popular, uma unanimidade perversa. Flagrado em conluio nada republicano com um réu confesso, vale-se agora de argumentos de natureza jurídica no intuito de seguir roendo o osso, como se fosse possível governar uma nação por decreto, à revelia da vontade soberana do povo. Ainda que os seus pares no Congresso Nacional fechem os olhos para os seus malfeitos, blindando um julgamento no Supremo Tribunal Federal, no entanto, Temer já não reúne as condições indispensáveis para se manter no comando do País. A renúncia é a única saída mais ou menos honrosa a disposição do indesejado presidente.

A denúncia apresentada anteontem pela Procuradoria Geral da República martela mais um prego no caixão do ainda presidente. A julgar pela denúncia apresentada pelo procurador Rodrigo Janot, as provas de que Temer recebeu dinheiro de propina são “abundantes”, corroborando as suspeitas levantadas por relatório da Polícia Federal, segundo o qual há provas substanciais de corrupção com as digitais de Michel Temer.

Em pronunciamento realizado ontem, Temer se defendeu das acusações e fez uma infeliz alusão ao caminho tortuoso percorrido até se alojar no Palácio do Planalto. “Tenho orgulho de ser presidente. Não sei como Deus me colocou aqui”. A sua posse, entretanto, foi marcada por um processo controverso, ensejando até mesmo acusação de golpismo. Aparentemente, as forças responsáveis pelo seu mandato têm natureza mais modesta do que a mais reles das divindades.

Apesar de um momento político o mais conturbado, para dizer o mínimo, Temer insiste na defesa das reformas já esboçadas e se agarra ao discurso liberal como a uma tábua de salvação. Mas se o empenho para agradar os donos do dinheiro o livrar de uma condenação, jamais bastará para salvar a sua triste biografia política do vexame. Temer é hoje um presidente único, com a faca no pescoço, joguete de manobras alheias ao interesse público, um presidente que não pode nada.