JB e o PODEMOS

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Publicada em 29/06/2017 às 00:03:00

O PODEMOS, anteriormente denominado Partido Trabalhista Nacional (PTN), é um dos partidos mais antigos do Brasil. Fundado  na República Velha, em 1945, por dissidentes do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), a legenda desde 1995 vem sendo comandado pela família Abreu (José Masci de Abreu, Dorival de Abreu e Renata Abreu).

Antes disso, em 1960, o PTN conseguiu eleger um filiado como presidente do Brasil: Jânio Quadros. O partido foi extinto pelo Regime Militar, por intermédio do Ato Institucional Número Dois (AI-2), de 27 de outubro de 1965.

O PTN foi refundado em maio de 1995, ganhando o registro provisório no mesmo ano. No ano seguinte já obteve o registro definitivo da legenda, tendo sido dirigido pelo ex-deputado petebista Dorival de Abreu, com o nº 19. Após o falecimento de Dorival, seu irmão, o também ex-deputado federal paulista José de Abreu, dirigiu a legenda.

No pleito de 2014, elegeu quatro deputados federais, sendo eles Bacelar (BA), Christiane de Souza Yared (PR), Delegado Edson Moreira (MG) e Renata Abreu (SP), filha de José de Abreu, que também agora é a nova presidente nacional do partido e 14 deputados estaduais. Com a janela partidária no início do ano de 2016, vários parlamentares trocaram de legenda e o destino de alguns deles foi o PTN que hoje tem 13 deputados federais.

Em dezembro de 2016, o então PTN mudou de nome e passou a ser denominado "PODEMOS". Baseado em pesquisas e estudos de consultorias, a organização foi renomeada por inspiração no mote "sim, nós podemos" (yes, we can) da campanha de Barack Obama à presidência dos Estados Unidos em 2008 e sem qualquer relação com o partido-movimento espanhol Podemos. A essa época, a bancada do partido foi caracterizada como de centro-direita com parlamentares conservadores pelo presidente do diretório estadual na Bahia, João Carlos Bacelar Batista, enquanto que seus dirigentes de hoje dizem que a legenda não é de direita nem de esquerda.

Dirigentes do PODEMOS viajam o país a fora em busca de fortalecimento da legenda, com novas filiações. Já conseguiu a filiação dos senadores Romário (RJ) e Álvaro Dias.  Recentemente a presidente do partido, a deputada Renata Abreu (SP), esteve em Sergipe. Fez convite de filiação ao governador Jackson Barreto (PMDB), com quem tomou café da manhã, e ao prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB).

Já tem assegurada a filiação do secretário Zezinho Sobral (Inclusão Social), que em 2018 não quer disputar mandato de deputado estadual pelo PMDB, que já tem quatro parlamentares na Assembleia que vão para a reeleição. Tem o aval de JB para a mudança de legenda.

Jackson, fundador do PMDB, também namora o PODEMOS pelo fato de está sendo desprestigiado politicamente e administrativamente pelo governo Michel Temer, que também é do seu partido, e por não querer uma aliança com o PSDB do senador Eduardo Amorim. Além disso, teme que em 2018 o PT não queira se coligar com o PMDB, que comandou o impeachment de Dilma Rousseff e que os petistas chamam de “partido golpista”.

Raquel Abreu, inclusive, retorna hoje a Sergipe na companhia do senador Álvaro Dias para o São Pedro de Capela e uma nova conversa com o governador. Os dois parlamentares vão fazer de tudo, durante jantar regional em Capela, para convencer JB a se filiar a legenda. Ainda terá o reforço do ex-prefeito Sukita, que preside o partido no estado.

Se depender dos históricos do PMDB, a exemplo dos secretários Benedito Figueiredo (Governo) e João Augusto Gama (Cultura), o governador permanece no partido que fundou e que combateu a ditadura militar. Acham que deve se aposentar da política no partido que começou e exerceu vários mandatos.

Certo mesmo que JB não tomará qualquer decisão até setembro deste ano, quando haverá uma definição sobre a reforma política. E quer deixar uma porta aberta no PODEMOS, para que possa ir com os aliados.

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Garantia de autonomia 1

A possibilidade de uma saída do governador Jackson Barreto do PMDB e alguns correligionários do partido, por não aceitar uma aliança com o PSDB em 2018, preocupou a bancada peemedebista na Câmara Federal. O líder do PMDB na Câmara, Baleia Rossi, saiu com nota garantindo autonomia a JB e ao deputado Fábio Reis com relação às eleições do ano que vem para o Planalto.

 

Garantia de autonomia 2

Diz a nota: “A marca do PMDB sempre foi a democracia e o respeito às suas lideranças nos Estados e nos municípios, por isso somos há muitos anos o maior partido do Brasil. Nunca houve e nunca haverá imposições da nossa Executiva Nacional para formação de chapas em eleições estaduais”.

 

Garantia de autonomia 3

Prossegue a nota: “Portanto, queremos deixar claro que, no Estado de Sergipe, o atual governador Jackson Barreto e o deputado Fábio Reis terão plena autonomia para decidir os rumos do PMDB com vistas à disputa das eleições em 2018”.

 

Garantia de autonomia 4

Finaliza dizendo: “A administração do PMDB em Sergipe é exitosa e bem avaliada pela população. Isso se deve a sintonia que sempre existiu entre o governador do Estado e nossa bancada federal representada pelo deputado Fábio Reis”.

 

Desfazendo boatos 1

A deputada estadual Goretti Reis (PMDB) desfez ontem as especulações sobre desentendimento político na sua família, dando conta que o ex-deputado federal Sérgio Reis (PMDB) seria candidato a deputado estadual em 2018 e o seu irmão, o deputado federal Fábio Reis (PMDB), disputaria a reeleição, ou vice-versa.

 

Desfazendo boatos 2

Segundo Goretti, o sobrinho Sérgio Reis quer voltar à política e pensa em uma vaga na chapa majoritária, seja como suplente de senador ou como vice de Belivaldo Chagas (PMDB). “Defendo o nome de Sérgio na chapa majoritária. Ele sabe fazer política, é bem articulado, conhece os ministérios, as secretarias e o poder. É um nome capacitado e qualificado para uma vaga majoritária”, avalia.

 

Troca de partido 1

A deputada admite que pode deixar o PMDB se na reforma política que está para ser votada no Congresso Nacional até setembro acabe com as coligações proporcionais. “Vou avaliar os nomes do PMDB e se não tiver a garantia de coeficiente eleitoral, trocarei de partido. Irei para um que tenha chances de me reeleger”, disse.

 

Troca de partido 2

Quem também pode deixar o PMDB é Sérgio Reis. Um deputado federal do alto clero da Câmara dos Deputados ofereceu a Fábio e Sérgio o comando da legenda do seu partido em Sergipe. A legenda já foi muito influente no estado, com grandes lideranças com mandatos eletivos no Executivo e Legislativo.

 

Troca de partido 3

Caso deixe o PMDB, Sérgio Reis pode ter mais chance de emplacar seu nome na chapa majoritária, que deve ter dois peemedebistas: Belivaldo Chagas para o governo e Jackson para o Senado. 

 

Bem assediado

Informações chegadas à coluna dão conta que quatro partidos nanicos de oposição já procuraram o governador Jackson Barreto para oferecer apoio e marchar juntos em 2018. Segundo um aliado de JB, o grande desafio do governador é selecionar os partidos que podem compor o seu grupo político.

 

Polêmica na Alese 1

Os deputados estaduais aprovaram ontem um pacote de 47 projetos de lei, sendo a grande maioria do Poder Executivo. O mais polêmico foi o que transfere da Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) para a Secretaria da Saúde a autonomia para realização de licitações de obras e aquisição de serviços de itens da saúde.

 

Polêmica na Alese 2

Durante a votação, os deputados Capitão Samuel (PSL) e Georgeo Passos (PTC) se posicionaram contrários ao projeto. Ao final da discussão, o  placar foi 10 x 10, levando o presidente da Assembleia, Luciano Bispo (PMDB), a conceder o voto minerva pela aprovação do projeto que transfere para a Secretaria de Saúde o poder de compra para itens da pasta. O projeto acabou sendo aprovado por 11x10.

 

Polêmica na Alese 3

Como a votação foi apertada, a oposição pediu voto nominal. Iniciou ai uma nova discussão entre os deputados Zezinho Guimarães (PMDB) e Moritos Matos (PROS). Zezinho disse: “Vou aqui dá uma de Vado da Lotérica [vereador folclórico de Itabaiana]. Bora, bora, bora. Quem perdeu se convença, acabou. Moritos rebateu dizendo que o colega deixasse de “palhaçada”, que ali não era um circo. Zezinho retrucou questionando: “desde quando perder é palhaçada? Perdeu, tem de aceitar”. O embate  só foi apaziguado pela interferência do deputado Venâncio Fonseca (PP). 

 

Polêmica na Alese 4

Teve polêmica ainda, mas em proporção menor, com relação ao projeto de lei de modificações no Proinveste. A oposição tentou barrar o projeto alegando que ele retira competências do Legislativo e garante mais poderes ao Executivo em relação ao andamento das obras. O embate foi protagonizado pelo líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Francisco Gualberto (PT), e o líder da oposição na Casa, Georgeo Passos (PTC).

 

Consenso político

Com a aprovação de todos os projetos de lei, não faltou quem não comentasse que nenhum governador teve tanta facilidade para aprovar projetos como está tendo Jackson Barreto. O fato foi atribuído a habilidade política do presidente Luciano Bispo e o tratamento dele com os colegas parlamentar. 

 

Veja essa...

O deputado estadual Capitão Samuel (PSL) demonstrou ontem sua insatisfação com o aliado governo Jackson Barreto, por conta do secretário Benedito Figueiredo (Governo) não ter mandado para  a Assembleia o projeto de lei de interesse dos policiais militares e bombeiros. Disse o parlamentar: “Não quero acreditar que alguns secretários mandem mais que o governador. O governador discutiu o projeto e se comprometeu a encaminhar para a Assembleia, mas o secretário Benedito não fez isso. Acredito na palavra do governador”.

 

CURTAS

 

Em virtude da delação da JBS, em 18 de maio de 2017, o PODEMOS foi o primeiro partido a abandonar a base aliada do governo Michel Temer, saindo também do bloco partidário do qual integrava ao lado do PP e do PTdoB, então declarou-se independente em relação ao governo.

 

Com a aprovação ontem dos 47 projetos de lei na Assembleia, por volta das 14h30, os deputados iniciaram o recesso parlamentar do meio do ano. Só retornaram agora as atividades parlamentar no dia 1º de agosto.

 

Já a Câmara Municipal de Aracaju não teve quórum para votar a LDO e os trabalhos devem ser prorrogados para a próxima semana.

 

Amanhã tem greve geral dos trabalhadores contra as reformas trabalhista e previdenciária propostas pelo governo Temer. Deve ser bem sucedida pelo fechamento das agências bancárias e paralisação dos ônibus.