PM impede bloqueios e apreende muitos pneus durante greve geral

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Polícia recolhe pneus que seriam usados em manifestação. Foto: Divulgação/PM
Polícia recolhe pneus que seriam usados em manifestação. Foto: Divulgação/PM

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Publicada em 01/07/2017 às 00:10:00

Gabriel Damásio

 

A cúpula da segurança pública em Sergipe avaliou como tranqüila a movimentação da greve geral deflagrada ontem em todo o país. Apesar dos bloqueios registrados ao longo do dia em ruas, avenidas, estradas e pontes, poucas ocorrências relacionadas foram registradas pelas polícias Civil e Militar. A principal delas foi a prisão de três manifestantes que tentavam atear fogos em pneus para bloquear a Ponte José Rollemberg Leite, que liga o bairro Porto Dantas (em Aracaju) ao Conjunto Marcos Freire (Nossa Senhora do Socorro). A polícia não confirmou os nomes dos acusados e nem se eles têm ligação com algum partido ou entidade sindical.

A abordagem aconteceu por volta das 5h30, quando uma equipe do 5º Batalhão de Polícia Militar (5º BPM) viu os manifestantes, dois homens e uma mulher, chegarem ao local em um GM Kadett de cor vermelha, que rebocava uma carroceria com 18 pneus e três carcaças de pneu. Os soldados chegaram a seguir os grevistas, mas os perderam de vista e vieram a encontrá-los novamente na cabeceira da ponte, quando os pneus estavam espalhados na pista e prestes a ser queimados.

De acordo com o relações-públicas da PM, coronel Paulo César Paiva, os três chegaram a tentar fugir entrando em outro carro, mas foram alcançados e presos. Com os grevistas, além dos pneus velhos, foi apreendido um galão com cinco litros de gasolina, que, segundo a polícia, seria derramado nos pneus e queimado, formando assim uma barricada. Eles foram levados para a Delegacia Plantonista Norte (Santos Dumont) e autuados em flagrante pelo crime de incêndio em via pública.

Ainda de acordo com a Polícia Militar, não houve outras prisões de grevistas, mas várias outras apreensões de pneus aconteceram ao longo do dia. Uma delas aconteceu por volta das 6h na Rua São Cristóvão (Centro), onde outra equipe da PM recolheu uma nova carga de pneus que seria espalhada e queimada pelos manifestantes. Já na Avenida Marechal Rondon, no Capucho (zona oeste), em frente à garagem da Viação Progresso, houve um reforço de soldados dos batalhões de Radiopatrulha e de Choque, os quais fizeram três apreensões de pneus e outros materiais para a formação de barricadas. Nos dois casos, os responsáveis não foram encontrados.

Mesmo com as apreensões, houve bloqueios de avenidas e também das garagens das empresas de ônibus, que impediram a saída dos coletivos durante a madrugada e deixaram a capital sem transporte público. No entanto, de acordo com Paiva, estes bloqueios foram reforçados pelos próprios motoristas e cobradores, pois estes decidiram aderir à greve geral. Todos os bloqueios foram desfeitos até o final da manhã, após negociações dos PMs com os sindicalistas que lideravam os protestos.

O incidente que exigiu mais trabalho da polícia foi justamente o bloqueio em frente à Progresso, onde a barricada de pneus foi queimada bem perto de um posto de gasolina. Para afastar o risco de explosão, os tanques de combustível precisaram ser resfriados com a ajuda do Corpo de Bombeiros, que depois controlou o fogo. Um carro chegou a furar o bloqueio montado com cones pelos grevistas e cinco deles quase foram atropelados. Outro grupo resistiu em desbloquear a avenida e provocou um princípio de confronto com os policiais militares. Alguns tiros com armas não-letais foram disparados, provocando protestos dos manifestantes. O porta-voz explicou que a ação foi necessária por causa do tumulto e que os tiros foram dados como advertência. Ninguém ficou ferido.

A segurança foi reforçada também no centro comercial, onde manifestantes com carros de som percorreram os calçadões da João Pessoa e Laranjeiras para pedir o fechamento das lojas. Não houve prisões e incidentes, mesmo com a vigência de uma liminar do juiz plantonista Edno Aldo Ribeiro de Santana, da Comarca de Aracaju, que proibiu os grevistas de impedir o funcionamento do comércio. Segundo o coronel Paiva, os grevistas conseguiram articular as paralisações com a liderança de integrantes de sindicatos e outras entidades que não foram citadas ou arroladas na ação judicial impetrada pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e pela Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (Acese).

 

Polícia Civil – Poucas ocorrências foram registradas também nas delegacias da Polícia Civil, que também tiveram o atendimento ao público afetado pela greve geral. Às 12h de ontem, os agentes e escrivães do órgão aderiram ao movimento e iniciaram uma paralisação de 24h, com término previsto para o fim da manhã de hoje. Neste tempo, apenas as atividades emergenciais estão mantidas, a exemplo das prisões em flagrante. A categoria protesta contra o fim do regime de aposentadoria previsto para os policiais civis e federais, que está previsto no projeto de reforma da Previdência.