E o tal do mundo não se acabou...

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Rogério, quando Sergipe era o país do forró. Foto: Divulgação
Rogério, quando Sergipe era o país do forró. Foto: Divulgação

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Publicada em 01/07/2017 às 08:00:00

Rian Santos - riansantos@jornaldodiase.com.br

 

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar. Mas junho foi embora, deixando o mesmo rastro de todos os anos. Sinal de que o Forró Caju não faz falta, o rombo é outro, o buraco mais embaixo.

Forró Caju e Pré Caju são as duas faces sem vergonha da mesma moeda falsa. Duas festas de tamanho delirante, realizadas sob o mesmo pretexto suspeito, dependentes do financiamento público, atendendo a interesses estritamente privados. Não por acaso, os dois eventos foram suspensos por motivos idênticos, devorados pela crise. Em tempo de vacas magras e vigilância crescente, com o pão cada vez mais caro, a lona colorida do circo não engana ninguém.

O pretexto mencionado é o de movimentar a economia, a toque de sino e repique de caixa, um benefício jamais comprovado por dados confiáveis. Alega-se que o poder público tem de torrar milhões para uma centena de pobres coitados descolarem um troco com a venda de cerveja e as latas descartadas de qualquer jeito durante a farra. O grosso da grana, no entanto, acaba sempre nos bolsos de uns e outros, os empresários de artistas contratados a peso de ouro para a alegria abestalhada das massas.

De Cultura que é bom pouco se fala. De outro modo, a cidade estaria ainda hoje coberta de bandeirolas coloridas e fuligem, haveriam sanfonas e fogueiras desmaiadas em todas as esquinas. Fosse Sergipe o país do forró, como queria Rogério, cachês milionários e as evidências de superfaturamento, pronunciadas a boca pequena, não teriam silenciado os papocos de uma alegria genuína, hoje abafada em espaços controlados, feito um animal contido entre quatro paredes, esquecido da própria grandeza.

A fé na festa virou só um negócio. Deu no que deu.