Desenvolvimento sustentável: bom negócio para pequenas empresas

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Publicada em 16/06/2012 às 10:42:00

Quando se fala em sustentabilidade, fala-se em combate à miséria, em exploração racional
e renovável dos recursos naturais e em economia para criar e distribuir riquezas

 

* Luiz Barretto

Há 20 anos, o mundo acordava para o fato de que os recursos naturais são limitados e que é preciso administrá-los com eficiência. A discussão, inicialmente focada nas questões ambientais, hoje abrange a produção e o consumo de bens e serviços.
De 1970 a 2010, a população mundial dobrou. Em 2020, o Brasil terá 209 milhões de habitantes. Toda essa gente precisará de água, comida, casa, energia, transporte, escola e medicamentos. Para fornecer tudo isso, os recursos naturais serão cada vez mais exigidos.
Quando se fala em sustentabilidade, fala-se em combate à miséria, em exploração racional e renovável dos recursos naturais e em economia para criar e distribuir riquezas. É aí que entram as empresas para oferecer produtos e serviços que atendam às necessidades das pessoas. E também para gerar emprego e renda para que elas possam viver melhor. A inclusão é um aspecto indissociável do desenvolvimento sustentável.
No Brasil, o segmento dos pequenos negócios reúne quase a totalidade das pessoas jurídicas - 99% delas - e é o maior gerador de empregos formais. As 6,1 milhões de empresas de micro e pequeno porte do país são responsáveis por 53% dos postos de trabalho. Assim, o tema da sustentabilidade passa, obrigatoriamente, por esse segmento.
Ser sustentável é fundamental para o Brasil e para todo o planeta, da mesma forma que adotar iniciativas sustentáveis é imprescindível para que as micro e pequenas empresas se tornem mais competitivas. Dessa forma, elas podem se posicionar melhor no mercado em que os consumidores já dão sinais de preferência por produtos sustentáveis.
Estudo feito com quase 4 mil empresas, em abril deste ano, revelou que a maioria dos micro e pequenos negócios já adota algum tipo de prática sustentável, como fazer a coleta seletiva de lixo (70,2%) e controlar o consumo de água (80,6%) e de energia (81,7%). A destinação adequada de resíduos tóxicos, como solventes, produtos de limpeza e cartuchos de tinta, é feita por 65,6% dos entrevistados.
Apesar disso, percentual expressivo (51,7%) de empresários de empresas desses portes ainda não têm por hábito utilizar matérias-primas ou materiais recicláveis no processo produtivo, e captar água de chuva ou reutilizar águas cinzas (83,4%). Muitos também não participam do processo de reciclagem de pilhas, baterias ou pneus usados (50,9%).
No entanto, a sondagem constatou um dado importante para quem trabalha com o incentivo a iniciativas sustentáveis: a maioria (87%) dos entrevistados entende sustentabilidade como algo associado a questões ambientais (87%), sociais (82%) e econômicas (82%), e não a apenas uma ou duas dessas questões.
Muitas empresas já adotam medidas simples que melhoram sua eficiência e gestão. A substituição da energia elétrica por gás e o melhor aproveitamento da energia do vento resultaram em economia de 20% na conta de luz de uma lavanderia de Rondonópolis, em Mato Grosso, por exemplo. Em Recife, um empreendedor está transformando óleo de cozinha usado em resina antiferrugem para proteger veículos. Uma empresa de Nova Lima, em Minas Gerais, fabrica blocos para pavimentação a partir de rejeitos de mineradoras. No Rio de Janeiro, uma empresária faz moda com garrafas PET.
Esses casos levam à conclusão que a redução do impacto ambiental por unidade produtiva pode ser pequena, mas, no conjunto de milhões de micro e pequenas empresas, é essencial para a sustentabilidade.

* Luiz Barretto é presidente do Sebrae Nacional