Laranjeiras: tiroteio em festa deixa sete feridos

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Publicada em 11/07/2017 às 00:23:00

Gabriel Damásio

 

Um atentado a tiros deixou pelo menos sete pessoas baleadas e interrompeu a realização do evento ‘Laranjeirart’, realizado no último final de semana em Laranjeiras (Vale do Cotinguiba). Por volta das 21h30 deste domingo, um homem passou de moto pela Praça da Matriz, centro histórico da cidade, e, segundo testemunhas, era acompanhado por um comparsa e começou a disparar vários tiros contra outro homem que estava na praça. O confronto provocou pânico entre os freqüentadores da festa, que acompanhavam a apresentação de grupos folclóricos e começaram a correr para fugir dos tiros.

Na confusão, os frequentadores acabaram derrubando cadeiras e barracas. Além dos baleados, outras pessoas se machucaram durante o tumulto, sendo pisoteadas ou até sofrendo queimaduras com óleo quente usado em barracas de lanches. Segundo informações oficiais, três dos feridos a tiros foram socorridos no Hospital São João de Deus, em Laranjeiras, e os outros quatro no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju. A vítima mais grave é um adolescente de 16 anos baleado nas costas. Ele foi operado na manhã de ontem e permanece em observação médica, conforme a assessoria da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS). Os que se machucaram durante o tumulto foram atendidos no São João de Deus. 

O secretário municipal de Comunicação de Laranjeiras, João Rosa, explicou que o evento é realizado desde janeiro deste ano e aos primeiros domingos de cada mês, com o objetivo de integrar e apresentar os diversos grupos folclóricos existentes na cidade. Segundo ele, não houve até então nenhum problema quanto à segurança. “É uma festa voltada para as famílias de Laranjeiras, com espetáculos de dança, atrações musicais, pessoas comercializando seus produtos e fomentando a renda do município. Nunca houve um aborrecimento sequer nessa festa, até acontecer esse imprevisto, que foi um fato isolado, causado por um louco que apareceu no meio da festa atirando a esmo”, lamentou, ressaltando que não havia bandas ou som alto.

Rosa admitiu também que o policiamento da festa era realizada por apenas 12 soldados da Guarda Municipal de Laranjeiras, os quais não conseguiram controlar o tumulto. E confirmou que a Policia Militar não enviou nenhum efetivo de sua tropa para compor o esquema de segurança. “Nós mandamos um ofício para a Polícia Militar, que detém o critério de fazer a segurança da festa, mas infelizmente, ela não compareceu. O comando mandou um ofício pra gente avisando porque não iria comparecer. É uma coisa muito difícil de lidar, porque a Polícia Militar é a responsável pela segurança do cidadão”, criticou o secretário.

O coronel Paulo César Paiva, relações-públicas da corporação confirmou a recusa e apontou mais um detalhe: a Prefeitura de Laranjeiras indicou em seu ofício uma data diferente para o dia do evento. “A Polícia Militar não recebeu qualquer solicitação de policiamento para eventos em Laranjeiras no dia 9 de julho. No mês de junho, o Comando de Policiamento da Capital recebeu uma solicitação que versava sobre o primeiro domingo de cada mês, no qual o dia 2 de julho estava relacionado por escrito. E naquela oportunidade, a Polícia Militar se manifestou contrária ao policiamento específico”, disse ele.

O próprio documento enviado à Prefeitura apontou dois motivos para a recusa do envio de PMs ao ‘Laranjeirart’: a organização do evento em campo aberto, isto é, sem controle de acesso dos freqüentadores e sem cercas ou tapumes em seu entorno; e a falta de previsão de policiamento extraordinário, ou seja, não havia escalas extras com policiais de folga e nem previsão para o pagamento das horas-extras correspondentes, conhecidas como Retaes. “Todos sabem que não há possibilidade de atender a eventos específicos com o policiamento de área, o policiamento corriqueiro, porque, obviamente, as outras pessoas do município ficariam descobertas”, justificou o coronel.

Soldados do destacamento da PM em Laranjeiras estiveram na praça após o incidente e apreenderam uma moto que estava abandonada em uma rua próxima ao local. A suspeita de que ela teria sido guiada por um dos atiradores. Documentos do suposto proprietário também foram encontrados. O veículo foi recolhido à Delegacia de Polícia de Laranjeiras, que vai investigar o caso. A primeira suspeita é de que o atentado pode ter ligações com uma rixa entre grupos de assaltantes e traficantes que agem na periferia da cidade.

Em 12 de novembro de 2016, uma chacina com características semelhantes aconteceu também na Praça da Matriz de Laranjeiras, com quatro mortos a tiros em plena via pública. As investigações do crime resultaram na desarticulação de uma das quadrilhas, com quatro suspeitos presos e dois mortos em confronto com a Polícia Civil.