Dia de confusão no Congresso

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Publicada em 12/07/2017 às 00:35:00

Ontem o país foi surpreendido com o gesto das senadoras oposicionistas Fátima Bezerra (PT-RN), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Lídice da Mata (PSB-BA) de ocuparem a Mesa Diretora do Senado Federal, no final da manhã, como forma de atrasar a sessão que apreciaria a reforma trabalhista. Elas presidiam a sessão e passavam a fala a outros senadores com posições também críticas à reforma.

Como as senadoras não deixavam a Mesa, por volta do meio-dia o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), suspendeu a sessão, desligou os microfones do plenário, apagou as luzes e mandou cortar o ar-condicionado do plenário. Chegou a dizer que a sessão estaria suspensa até que pudesse retomar a Mesa.

As senadoras não se intimidaram.  Permaneceram sentadas a Mesa Diretora da Casa, onde almoçaram às escuras, e passaram a criticar a ausência de manifestantes nas galerias do plenário.  É que as centrais sindicais foram impedidas de entrar no Senado para protestar contra a reforma trabalhista, fazendo os protestos de fora.

Diante do impasse, Eunício Oliveira se reuniu com senadores de vários partidos da base em busca de uma solução.  Pensou em transferir a sessão para o Auditório Petrônio Portela, também, no Senado, pois queria, a todo custo, que ocorresse a votação da reforma trabalhista nessa terça-feira.

Somente no final da tarde, após muita confusão, as senadoras deixaram a Mesa Diretora, o que possibilitou que o presidente Eunício Oliveira reiniciasse sessão para votação do PLC 38/2017, que trata da reforma trabalhista e abre a votação do projeto.

Em plenário, os senadores de Sergipe Eduardo Amorim (PSDB) e Antônio Carlos Valadares (PSB) estavam prontos para votar contra a reforma, que acabou sendo aprovada por 50 votos a favor e 26 contra.

Disse Amorim: “Meu voto é da coerência, não é justo que o trabalhador pague por todas essas mazelas. O trabalhador não é o culpado. Era o momento da reforma tributária e não da trabalhista. Pagamos mais de 94 tipos de tributos atualmente. Ajustes são necessários, mas o momento de crise não favorece essas mudanças drásticas”, afirmou Amorim.

De Sergipe, só a senadora Maria do Carmo Alves (DEM) votou a favor da reforma trabalhista.

Já na Câmara dos Deputados, a sessão plenária também não foi tranquila. Partidos de oposição (PT, PDT, Psol, Rede, PCdoB e PMB) obstruíram as votações no Plenário da Câmara de medidas provisórias.

O deputado federal João Daniel (PT-SE) chegou a declarar: “não é normal um presidente [da República] estar investigado e mandar medidas provisórias e reformas como a trabalhista e a previdenciária”.

Essa confusão toda no Congresso Nacional é o retrato da bagunça instalada no país, com essa crise política, ética e moral que se agravou com as delações dos empresários da JBS pegando em cheio o presidente Temer.

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Ponto de vista

Do senador Eduardo Amorim (PSDB): “Se as reformas forem aprovadas esse governo terá um suspiro, mas temos a denúncia tramitando na CCJ da Câmara. Vamos aguardar”.

 

Dança na CCJ

O presidente Temer continua atuando para que os partidos aliados substituam na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aqueles deputados titulares que podem votar favorável à denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra ele por corrupção passiva e referendada pelo relator Sérgio Zveiter (PMDB-RJ). Nessa dança na CCJ, para que Temer se mantenha a todo custo no Planalto, o deputado Laércio Oliveira (SD-SE) entra na cadeira de titular de Aureo (SD-RJ)

 


Diagnóstico ruim

O deputado federal André Moura (PSC-SE), líder do governo no Congresso Nacional, participou no último domingo da pizza com sopa na residência oficial do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), junto com alguns ministros e deputados aliados do governo. Segundo a mídia nacional, André e todos os presentes ouviram de Maia que o presidente poderá sobreviver à votação, no plenário da Casa, da primeira denúncia apresentada por Janot, mas que certamente sucumbiria quando a segunda acusação chegasse à Câmara. Chegou a dizer que é “irremediável” a queda de Temer.

 

Tem pressa

André Moura disse ontem que trabalha para tentar votar o processo na CCJ até quinta-feira, e levar o assunto a Plenário já na sexta-feira, uma vez que segunda-feira seria o último dia de trabalho antes do recesso parlamentar de duas semanas. “Votamos na CCJ até a quinta e, se for do entendimento do presidente Rodrigo Maia, poderíamos votar na sexta, aproveitando que todos os deputados já estariam aqui”, disse o líder.

 

Reunião com prefeitos

Dando continuidade a sua agenda com gestores públicos, o governador em exercício Belivaldo Chagas (PMDB) recebeu ontem no palácio o prefeito Humberto Maravilha (Umbaúba), o secretário Municipal de Saúde, Pato Maravilha, e o assessor Washington Maravilha. Na pauta, ampliação das ações da saúde no município e assuntos ligados a infraestrutura.

 

Fora do gabinete

Já pela tarde, Belivaldo despachou na sede da Secretaria de Estado da Educação com o secretário Jorge Carvalho e também com o secretário da Fazenda, Josué  Modesto.  Para ele, despachar na Educação é uma maneira de prestigiar a Pasta em que foi gestor por quatro anos, durante o governo de Marcelo Déda.

 

Na Casa Civil 1

Com Belivaldo no exercício do mandato de governador, a ex-deputada estadual Conceição Vieira (PT) assumiu a Secretaria da Casa Civil em exercício. A ex-parlamentar é diretora Executiva da Casa Civil.

 

Na Casa Civil 2

Segundo Conceição, ela dará continuidade às realizações da secretaria iniciada por Belivaldo. Cita o Programa Interinstitucional de Prevenção a Violência, que no dia 14 será no bairro Santa Maria; encaminhamento de tratativas com a Embaixada de Moçambique , para enviarmos uma missão estadual para intercâmbio comercial; encaminhamentos administrativos”, afirmou, enfatizando que ontem já participou da reunião do Conselho da Cohidro; visitou o novo comandante dos Bombeiros, tenente coronel Mendes e despachou na Superintendência de Desenvolvimento Agrário.

 

Mudança na Câmara 1

Informações chegadas à coluna dão conta que o suplente de vereador, Renilson Félix (DEM) vai assumir a Câmara Municipal de Aracaju no lugar do vereador Manoel Marcos (PSDB), que passará a responder pela Secretaria de Articulação Política. A mudança teria a ver com um acordo político com a senadora Maria do Carmo Alves (DEM), que no Senado está apoiando o governo de Sergipe.

 

Mudança na Câmara 2

Ainda segundo a fonte, a ida de Renilson Felix para a Câmara também seria um reforço à bancada governista no enfrentamento de vereadores da oposição como Elber Batalha (PSB) e Emília Correa (PEN). É que ele tem um estilo mais agressivo, é de debate.   

 

Mudança na Câmara 3

Com a chegada de Renilson à Câmara, o DEM do ex-prefeito João Alves passará a contar com três vereadores na Casa, que hoje são aliados do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB). Os outros dois são: Vinícius Porto e Juvêncio Oliveira.

 

Discurso durante posse 1

Do prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) ao empossar ontem de manhã a médica cardiologista Waneska Barboza como titular da Secretaria Municipal de Saúde: “Escolhi Waneska porque não quero a saúde politizada, nem partidária”. Se referiu ao fato dos adversários terem colocado que a saúde seria politizada, entregue a partidos e não teria futuro na sua gestão.

 

Discurso durante posse 2

Edvaldo salientou ainda que as mulheres têm espaço efetivo de comando na sua gestão.  Disse que Waneska se soma ao grupo formado por Eliane Aquino (vice-prefeita e secretária da Assistência Social) e Cecília Leite (Educação). “As três comandam, na PMA, os maiores orçamentos. Waneska irá gerir um orçamento anual de R$ 550 milhões na Saúde, enquanto Cecília é responsável por R$ 250 milhões na Educação e Eliane é a gestora de R$ 70 milhões no campo social”.

 

Discurso durante posse 3

O prefeito não perdeu a oportunidade de alfinetar o ex-prefeito João Alves Filho (DEM) durante discurso na posse de Waneska. “Infelizmente, nos últimos 4 anos a saúde em Aracaju foi completamente destruída. São R$ 60 milhões de dívidas deixadas só na Saúde. Este é um ano de reconstrução da cidade, hora de cada secretário enfrentar os problemas da cidade e mostrar resultados. A situação é muito difícil, mas vamos trabalhar para mudar a realidade da saúde em nossa cidade”.

 

Veja essa...

Do presidente da OAB nacional, Claudio Lamachia, sobre as substituições de membros na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, determinada pelo governo para garantir maioria na votação da denúncia contra Temer: “A a articulação em nome da própria sobrevivência no cargo depõe contra o presidente e contra o conjunto das instituições políticas. Soa como deboche à sociedade”.,

 

 CURTAS

 

Na audiência com o presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento (FNDE), Silvio Pinheiro, o senador Eduardo Amorim (PSDB-SE) pediu o desbloqueio de obras inacabadas nos diversos municípios sergipanos e celeridade no Programa Dinheiro na Escola (PDDE).

 

Na tarde de ontem, o presidente estadual do PSL/livres, Mateus Bispo, deixou o partido para se filiar ao PSD. “Atendi ao convite do presidente do PSD Novas Gerações de São Cristóvão, Nelio Miguel Junior", afirma.

 

Ressalta Mateus que escolheu o PSD pela possibilidade real de renovação dos quadros políticos sergipanos. “Precisamos mudar a dinâmica da política, ampliar o diálogo com a sociedade e nos posicionar como verdadeiros servidores da população. Isso só é possível agregando novas ideias, novas visões de atuação e formando quadros conectados com a realidade atual".

 

O Banese deixou ontem servidores públicos em polvorosa, com o fato dos salários de junho programados para serem efetuados nessa terça-feira não terem amanhecido na conta. Em nota, o banco disse que houve uma “falha técnica” e que os técnicos estavam trabalhando para efetuar os pagamentos, o que ocorreu pela tarde. Menos mal.