De bem com a vida

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Trabalho envolvente.
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Publicada em 15/07/2017 às 07:06:00

Rian Santos - riansantos@jornaldodiase.com.br

 

Luiz Eduardo jamais vestiu o figurino do roqueiro velho. O lançamento do disco ‘Depois do rock’ (2013), registro definitivo da banda Crove Horroshow, de batismo irônico, prestou um tributo a sua experiência pregressa e passou a Aracaju dos anos 80 a limpo. Um documento valioso e dos mais inspirados. Ponto final. Hoje, a história é outra, bem diferente. Talvez reste na sonoridade do recém lançado ‘This is my house’ alguns ecos de new wave/post punk. A viagem do compositor, no entanto, é agora embalada por camadas e mais camadas de ambiência eletrônica. Em lugar das guitarras, a experimentação.

 

Se a distorção virou memória, a atitude do compositor ainda é de quem tem muito culhão. Diz-se que não era fácil vestir a camisa surrada do movimento punk em Buracaju – para lembrar um fanzine editado à época. Pois a guinada assumida neste ‘This is my house’ é igualmente desafiadora. A comparação inevitável com os acordes da juventude cobram a Luiz Eduardo uma fidelidade romântica aos hinos da militância. Quem cantava “sem grana não tem amor”, hoje se balança de bem com a vida, disposto a cair na gandaia. “Lá-lá-lá-lá”.

 

Que ninguém se engane, contudo: Embora conquiste pela leveza, um atributo advindo talvez da maturidade, ‘This is my house’ é fruto de muito trabalho. Desde as primeiras melodias e a programação das bases – um empenho solitário, levado a efeito com um violão e um computador – até a masterização das músicas, foram embora dois anos, tempo de sobra para adequar o acento soul dos arranjos aos propósitos dançantes do compositor.

 

“This is my house é fruto de um trabalho minucioso. Foi feito com carinho e prazer. Que ele possa ser ouvido da mesma forma”.

 

Pois se essa é a única preocupação de Luiz Eduardo, ele pode colocar a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos justos, tranquilamente. Haverá, naturalmente, quem lhe negue os ouvidos, saudoso de uma qualidade visceral ultrapassada na quadra atual pelo compositor. O conjunto da obra é sim muito envolvente. Azar de quem não souber dançar.