A caneta de Temer

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 15/07/2017 às 07:38:00

Temer mantém-se como indesejado Presidente da República amparado exclusivamente pelo poder da canetada. No jargão da política rasteira, o artifício nada republicano é chamado de “manobra”. Em bom português, alto e claro, no entanto, trata-se, isso sim, de uma boa farra.

Os fatos se bastam: Levantamento da ONG Contas Abertas aponta que o governo federal liberou R$ 134 milhões em emendas parlamentares a 36 dos 40 deputados que votaram a favor do presidente Michel Temer na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Os deputados que votaram contra o presidente tiveram liberados no mesmo mês R$ 66 milhões em emendas (metade do valor dos pró-Temer).

Para efeito de comparação, é necessário mencionar que entre janeiro e maio, o governo liberou, ao todo, pouco mais de R$ 102 milhões a todos os parlamentares. Também pudera: A austeridade foi a primeira bandeira desfraldada pelo governo de turno, a principal estratégia anunciada para tirar o País do buraco. As dificuldades persistem, mas o regime de responsabilidade fiscal, não. De uma hora pra outra, a fonte dos recursos começou a jorrar, ainda que seletivamente. Somente em junho, foram empenhados R$ 2,02 bilhões em emendas parlamentares e de bancadas. O inferno astral abriu a mão do presidente.

Certamente não é a primeira vez que o derrame de dinheiro público ocorre com fins flagrantemente suspeitos. A recorrência, no entanto, não é argumento para a naturalização de nenhum pecado ou crime. O fato é que enquanto os amigos mais próximos do rei gozam privilégios incompatíveis com um contexto de crise tão aguda, populações inteiras são mantidas à míngua. A conhecida via crucis do governador Jackson Barreto, obrigado a bater às portas da oposição com a mão estendida, em Brasília, na esperança de obter os recursos indispensáveis aos investimentos necessários em Sergipe, é apenas mais uma das provas. Não é a bondade que governa a caneta de Temer.