Famílias são resistentes ao cadastramento da Assistência

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Técnicos da prefeitura durante visita a famílias despejadas no Marivan Sul. Foto: Sílvio Rocha/PMA
Técnicos da prefeitura durante visita a famílias despejadas no Marivan Sul. Foto: Sílvio Rocha/PMA

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Publicada em 16/07/2017 às 00:29:00

Na tarde desta sexta-feira (14), a Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Assistência Social, enviou mais uma equipe multidisciplinar para dialogar com as famílias que foram despejadas na quarta-feira (12), de um terreno localizado no Marivan Sul, após a execução da ordem de reintegração de posse expedida pela 9ª Vara Cível em favor de uma construtora. O objetivo da visita era realizar um cadastramento das famílias e realizar um levantamento das necessidades emergenciais.

Em diálogo mantido na tarde de ontem, 13, com a vice-prefeita e secretária da Assistência Social, Eliane Aquino, que esteve no local para verificar a situação das famílias, a liderança da ocupação se comprometeu em enviar ao município a listagem com os dados das famílias, de modo a agilizar o processo.  “Aguardamos durante toda a manhã de hoje, mas a listagem não foi apresentada. Sendo assim, diante da situação emergencial enfrentada pelas famílias, solicitei que uma equipe voltasse ao local para fazer o levantamento. Nosso intuito era verificar as necessidades emergenciais do grupo para que, dentro da legalidade, auxiliássemos no que fosse possível”, explicou Eliane Aquino.

Ao chegar no local, no entanto, a equipe foi surpreendida com a decisão coletiva do grupo em não aceitar que a Assistência do município realizasse o cadastro das famílias naquele momento. “Entendo que vocês estão aqui fazendo o seu trabalho, mas nossos dados estão com a Justiça e com a Defensoria Pública e queremos contar com a presença de representantes da defensoria para que os nossos direitos sejam assegurados”, justificou a liderança do grupo, Ideval Conceição de Souza.

A diretora de Proteção Social do SUAS da secretaria de Assistência Social, Inácia Brito, explicou ao grupo que o objetivo do cadastro era conhecer a realidade das famílias de modo que a Prefeitura pudesse tomar as medidas emergenciais cabíveis à situação. “Infelizmente, não tivemos a oportunidade de realizar um cadastro prévio das famílias antes que as casas fossem demolidas, pois não fomos notificados por nenhuma das partes envolvidas no processo, nem pela Justiça. Com isso, nosso trabalho já foi bastante prejudicado, pois não podemos afirmar com segurança se todas as pessoas que se encontram atualmente no local eram realmente moradores da ocupação, tampouco conhecemos o perfil da composição familiar ou seu recorte de renda. Viemos na tarde de hoje para fazer um levantamento das vulnerabilidades mais emergenciais”, destacou.

Após algumas negociações, a liderança do grupo se comprometeu em entrar em contato com a equipe da Secretaria na manhã da próxima segunda-feira, 17, para agendar uma nova visita da equipe ao local. “Até lá, me comprometo em não permitir que pessoas que não moravam na ocupação se aproveitem da situação e tentem se integrar ao grupo”, afirmou Ideval.