Um rebelde de nosso tempo

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Publicada em 30/07/2017 às 00:33:00

Johhny Hooker resolveu causar e se meter a besta com Ney Matogrosso. A treta se deu após o lançamento do mediano ‘Coração’ (2017), em hora bastante oportuna para o menino – um estrategista do lacre. A coluna vai fazer ouvidos até segunda ordem. Até lá, basta reafirmar tudo o que foi publicado quando o Joãozinho passou por aqui. Macaco não olha o rabo.

 

Marginal poser – A androginia bem comportada de Johhny Hooker não incomoda ninguém. E o acerto da pose pode ser mensurada em dezenas de milhares de shares e views, além da extensão percorrida em turnê. Acintoso e inofensivo, o pernambucano dialoga com todos os valores caros a uma classe média de modos polidos, ansiosa para afirmar as próprias virtudes. Fossa, macumbagem e desbunde da boca pra fora. O fundo do poço, aqui, é só um motivo.

‘Eu vou fazer uma macumba pra te amarrar, maldito!’ (2015), disco de estreia assinado pelo dito cujo, possui qualidades. Cantor de voz educada, o Joãozinho em questão assume a persona de uma diva na sarjeta. Apesar dos vibratos, do pulso constante e do calor irradiando dos metais, entretanto, o rapazinho nunca desce do salto para enfiar o pé na lama. As onze canções reunidas no registro simplesmente não doem, nem oferecem o menor perigo.

Um rebelde de nosso tempo – em roupas de couro, lápis nos olhos, trejeitos e performance calculada. A participação vitoriosa em um reality show do canal Multishow não chega a surpreender, portanto. Lá atrás, quando se mostrou em um programa veiculado pela mídia golpista, contudo, o menino de preto com sotaque do Recife ainda não era “uma mulher em fúria no corpo de um homem com os olhos marejados de lágrimas”, em sua própria definição afetada. Antes de colocar a fantasia com a disposição aparente de causar, para usar a linguagem corrente, o danado prometia mais.