Casal é preso como suspeito da morte de Rosemberg

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Publicada em 08/08/2017 às 00:17:00

Gabriel Damásio

 

Um casal está sendo apontado pela Polícia Civil como o principal suspeito pela morte do ex-presidiário Rosemberg José Guilherme Marques, o ‘Berguinho’, 47 anos, assassinado a tiros em 18 de julho deste ano na Rua Lagarto, centro da capital. Denisson da Cruz, 33 anos, e a esposa Jamily Neves Teixeira, 23, foram presos por volta das 9h de ontem no Conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão (Grande Aracaju), em cumprimento a mandados de prisão temporária expedidos pelo Judiciário. Segundo a investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o suspeito confessa ser o autor do crime e que ele teve motivação passional, ou seja, um relacionamento que Rosemberg teve com Jamily uma semana antes de sua morte.

Os detalhes do caso foram relevados ontem pelo delegado Kássio Kelinton Viana, responsável pelo caso. Ele afirma não ter dúvidas da participação de Denisson, o qual já era conhecido de Rosemberg e com quem costumava fazer negociações de veículos. A real participação de Jamily na trama, por sua vez, ainda é investigada pelos policiais. O delegado informou que os indícios de que o crime foi passional apareceram logo no início da investigação, sendo que uma das pistas foi o currículo de Jamily ter sido encontrado no local que a vítima usava como ‘escritório de advocacia’ – o ex-detento costumava se apresentar como advogado, apesar de não ser registrado na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

“O Denisson era casado com ela [Jamily] há mais ou menos dois anos e, uma semana antes desse homicídio, eles terminaram o relacionamento, mas retomaram cinco dias depois. Denisson não apresentou a esposa dele a Rosemberg, mas Rosemberg descobriu o telefone pessoal dela e, com o final do casamento, começou a ‘dar em cima’ [paquerar] da esposa do Denisson e chegou a ter um relacionamento com ela. Ele [Denisson] não ficou chateado com Jamily, pois ambos estavam separados, mas ficou muito chateado com Rosemberg e se sentia ‘enganado’ por ele, pelo fato de ‘Berguinho’ ter mantido esse relacionamento com a ex-mulher dele”, disse o delegado.

Ainda de acordo com Kássio, o ex-detento e o acusado passaram a ter atritos por conta da desconfiança. Denisson passou a desconfiar de Rosemberg, passou a procurá-lo em alguns locais e decidiu matá-lo ao saber de um telefonema do falso advogado à esposa, feito uma hora antes do crime e considerado pelo acusado como uma afronta pessoal. Segundo o delegado, ‘Berguinho’ teria dito a Jamily o seguinte: “Não conte a nada a Denisson não, mas o seu marido é um ‘mijão’, que não tem coragem pra nada, porque ele marca encontro comigo várias vezes e nunca vai”.

O casal acusado deu ainda duas versões – não confirmadas pela polícia – sobre o motivo do crime: a de que Rosemberg seria portador do vírus HIV e teria colocado o casal em risco de contaminação; e a de que o ex-detento vinha ameaçando Denisson, mostrando fotos de corpos de pessoas que ele alegava ter assassinado no passado. Estas informações ainda são checadas pelo DHPP, que inclusive pediu informações sobre exames feitos pelo casal em um posto de saúde no Siqueira Campos (zona oeste), na véspera do crime.

 

O crime – Após a última conversa com a jovem, ‘Berguinho’ foi até um consultório na Rua Lagarto e recebeu um telefonema para sair à porta. De acordo com Kássio, era Denisson, que dirigia um carro Renault Logan prata e alegou ter feito todo o crime sozinho. “Ele saiu adoidado lá de São Cristóvão, ligou pra Rosemberg e acertou pra passar lá na clínica. Ele [Denisson] saiu do banco de motorista para o banco de trás, e, quando o Rosemberg chegava para entrar no carro, o Dênisson abriu um pouco a porta, colocou a arma por cima dela e fez os disparos na vítima”, descreve o delegado. O ex-presidiário, que era um dos condenados pelo assassinato do deputado estadual Joaldo Barbosa (morto em 2003) e estava monitorado por uma tornozeleira, levou dois tiros nas costas e morreu deitado no sofá da clínica.

A polícia apurou também que Denisson fugiu para Propriá (Baixo São Francisco) na mesma tarde, após matar o ex-detento, enquanto Jamily foi ao encontro dele três dias depois e chegou a postar nas redes sociais uma foto com o marido na piscina do Hotel Velho Chico. E conseguiu imagens da passagem do Logan prata por um posto da Polícia Rodoviária Federal no povoado Cruz da Donzela, em Malhada dos Bois (Baixo São Francisco), por volta das 16h30 do dia 18. Na casa dos acusados, foi encontrado um porta-óculos com quatro cápsulas deflagradas de revólver calibre 38, possivelmente usados na morte de Rosemberg. A arma, por sua vez, teria sido descartada junto com o celular de Denisson.

O delegado confirmou ainda que o carro usado no crime era alugado por uma terceira pessoa e foi devolvido dias depois ao proprietário. Estes devem ser intimados para depor nas próximas horas. “O carro ficou em Propriá por dois dias, estava sem calotas e tinha um vidro fumê escuro, mas foi devolvido sem a película e com as calotas, até para confundir a investigação”, disse Kássio. O inquérito deve ser concluído nos próximos dias e Denisson deve ser indiciado pelo crime de homicídio qualificado.