Despoluir o Rio Sergipe

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Publicada em 01/09/2012 às 12:10:00

O Banco Mundial (BIRD) acaba de liberar US$ 70,3 milhões a título de empréstimo para que o Governo de Sergipe possa investir em saneamento e na despoluição do Rio Sergipe. O volume de recursos dimensiona as carências de boa parte da população que em pleno século XXI ainda não conhece de pertos as conquistas da civilização e vive sonhando com o mínimo de saneamento básico.

A bacia do rio Sergipe, onde o projeto vai centrar as suas atividades, é a mais poluída do Estado e abriga mais da metade dos dois milhões de habitantes Sergipe, incluindo Aracaju. A bacia tem um déficit de abastecimento de água de 65%, com uma demanda diária de 260 mil metros cúbicos de água e disponibilidade de apenas 87 mil. O déficit é coberto por onerosas transferências a partir da bacia do Rio São Francisco.

Cuidar do Rio Sergipe significa, portanto, zelar por uma das maiores riquezas naturais do Estado. Mesmo que levássemos em conta somente os diretamente beneficiados, ainda seria um verdadeiro manancial de gente. Ele nasce na Serra Negra, em Nossa Senhora da Glória, e tem 210 km de extensão. Até desaguar no Oceano Atlântico, o rio passa por 26 municípios, beneficiando cerca de um milhão de sergipanos, o que corresponde a mais da metade da população do Estado. Ao longo do percurso, 16 outros rios e vários riachos vão lançando suas águas na calha principal do rio Sergipe, contribuindo para sua formação.

A bacia do Rio Sergipe drena 16,7% do Estado. Seus principais afluentes, pela margem esquerda, são os rios Pomonga, Parnamirim, Ganhamoroba e Cágado e, pela margem direita, os rios Poxim, Sal, Cotinguiba, Jacarecica, Morcego, Jacoca, Campanha, Lajes e Melância. Os principais reservatórios são o Açude da Marcela e as barragens Jacarecica I e II. Para minimizar os efeitos das secas prolongadas, especialmente na região semi-árida, podem ser encontradas inúmeras barragens de pequeno porte.

Trocando em miúdos, os dólares do Banco Mundial chegam em boa hora. A exemplo do rio que corre pela aldeia do poeta Fernando Pessoa, o Rio Sergipe só não é maior do que a sede dos sergipanos.