Presidiário é quem comanda o tráfico de drogas no São Conrado

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Publicada em 12/08/2017 às 00:07:00

Gabriel Damásio

 

Equipes da Polícia Civil sergipana e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) realizaram na manhã de ontem a ‘Operação Amendoeiras’, com o objetivo de combater crimes de homicídios e tráfico de drogas no bairro São Conrado (zona sul de Aracaju). Cerca de 60 policiais dos dois órgãos, incluindo escrivães, delegados e agentes de polícia, foram mobilizados para cumprir dois mandados de prisão preventiva e outros 11 de busca e apreensão, expedidos pelo Judiciário.

Os dois homens que tiveram a prisão decretada, Abraão Liberato dos Santos, 19 anos, e Diego dos Santos, 20, não foram encontrados e estavam foragidos até a noite de ontem.Durante as buscas e apreensões, outras três pessoas foram presas em flagrante: Eglemerson dos Santos Ferreira, 20 anos; Denis Luiz dos Santos Correia, 42; e Islan Silva Ângelo, 22. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), eles foram apreendidos com quantias não contabilizadas de maconha e cocaína, uma balança de precisão, materiais usados na embalagem das drogas e quantias em dinheiro.

Os policiais também estiveram em uma área de mangue do São Conrado, junto ao Rio Poxim, onde destruíram um barraco improvisado com lonas e pedaços de pau. No local, foram apreendidas outras quantias de drogas e dinheiro, outros materiais e um colete balístico da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que estava no fundo da casa de Abraão e cuja procedência ainda é investigada. O dinheiro apreendido somou R$ 2.534,00.

A SSP informou que os presos na operação e os dois foragidos são ligados a uma quadrilha de traficantes que atua no São Conrado e, de acordo com as investigações, é comandada por um detento, cujo nome é mantido em sigilo. A reportagem apurou que ele está preso desde novembro de 2016 e é acusado pelo assassinato de um policial militar no São Conrado. Investigadores da Força Nacional e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) descobriram que este interno, mesmo dentro de uma penitenciária cujo nome também não foi divulgado, conseguia repassar ordens aos comparsas, controlando a movimentação em bocas-de-fumo e ordenando algumas ações, como cobrança de dívidas e assassinatos de inimigos.

A operação de ontem foi um desdobramento da investigação sobre o caso de um rapaz que foi baleado na madrugada de 1º de janeiro deste ano, após uma festa de Ano Novo, e morreu no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A polícia apurou que o crime foi cometido por Abraão e Diego, e que a vítima era um traficante da quadrilha. Ainda conforme os investigadores, o líder ordenou o crime porque o rapaz teria deixado de lhe repassar o dinheiro da vendade drogas em um ponto gerenciado por ele. Descobriu-se também este ponto foi assumido porum dos presos em flagrantena ‘Operação ‘Amendoeira’, quetestemunhou o assassinato e, na época, fugiu da cidade para não prestar depoimento à polícia.

Outros 10 assassinatos ocorridos no São Conrado são investigados pela força-tarefa e atribuídos à dupla de foragidos. Os trabalhos da operação são coordenados pelos delegados Robert Alencar, da Força Nacional, e Thereza Simony Silva, do DHPP. A expectativa das autoridades policiais é de que os dois foragidos sejam presos nos próximos dias e que outros crimes atribuídas à quadrilha sejam esclarecidos. Uma mulher, que é enteada de um dos presos e casada com o chefe da quadrilha, também é investigada como suspeita de ser o principal contato entre o marido e os outros integrantes da quadrilha.