Antonio da Cruz, um inconformado

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Cavoucando profundezas na superfície plana de uma simples chapa de metal. Foto: Nailson Moura
Cavoucando profundezas na superfície plana de uma simples chapa de metal. Foto: Nailson Moura

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Publicada em 05/09/2017 às 00:38:00

Rian Santos - riansantos@jornaldodiase.com.br

 

A oportunidade de surpreender o artista em vôo livre, às voltas com o desenvolvimento da linguagem. ‘Matrizes, Geratrizes e Derivadas’, na pauta da Galeria de Artes J Inácio, captura a trajetória de um profissional reconhecido por todos os aplausos em novo ponto de inflexão. Depois de se consagrar como escultor de formas melífluas as mais fantásticas, ápice de sua produção, Antonio da Cruz decidiu que já era hora de encarar outros desafios e se meteu a cavoucar funduras insuspeitas no raso e plano das chapas de aço.

 

Lá se vão mais de 40 anos de dedicação à lavoura do intangível modelado em aço. Depois das esculturas de inspiração surrealista que lhe renderam o devido prestígio e reconhecimento, agora Cruz investiga as possibilidades na superfície de uma simples chapa do metal. As primeiras experiências neste sentido rederam uma pequena mostra dedicada ao feminino histórico, abrigada pelo Memorial do Judiciário, em 2015.

 

Naquela ocasião, o artista explicou ao Jornal do Dia que a pesquisa materializada na mostra ainda estava engatinhando e deveria se desdobrar em outras formas. A exigência da participação ativa dos visitantes da mostra, obrigados a experimentar diversos pontos de vista para a apreensão de todas as nuances das gravuras, era então o principal incentivo ao experimento.

 

Eis que o dito cujo realiza, agora, uma mostra de grande fôlego, com tudo a que tem direito, bancada por edital. Se ‘Da gênese à liberdade’ reavivou o impulso criativo de Cruz, esta nova investida certamente prova que ele não mudou nada: O artista é desde sempre e ainda um inconformado.

 

A exposição – ‘Matrizes, Geratrizes e Derivadas’ é inspirada em prédios construídos entre 1920 e 1940, em Aracaju, projetados no estilo Arte Decó, de linhas retas, formas enxutas, aspecto arrojado. “Há cinco anos iniciei uma série obras cujo nome é ‘Mundos’, na qual, passei a fazer releituras de prédios, criar ambientes urbanísticos, como cidadelas e diversos universos imaginários. Com a mesma ênfase, me debrucei sobre o passado de Aracaju, não por saudosismo, mas com curiosidade estética que lhe é peculiar”, explica Cruz.

 

Denomina pelo artista como “Gravação por RPM”, a técnica utiliza instrumentos rotativos, como retificadora, diferente das técnicas tradicionais de gravação em metal. Mesmo em metal, as imagens produzem a sensação de movimento, com efeitos óticos que incluem a visualização de planos distintos em profundidade. Com elementos de composição da cena futurista, o artista se utilizou das formas de algumas das suas próprias esculturas e também trabalhou a aerodinâmica de objetos prontos, como peças automotivas, levando seus desenhos para a prancha de aço.

 

A Galeria J. Inácio é anexa à biblioteca Pública Epifânio Dória, no bairro 13 de julho.

 

Antonio da Cruz inaugura ‘Matrizes, Geratrizes e Derivadas’:

06 de setembro, às 19h30, na Galeria J Inácio.