Ocupando espaços

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O artista Crec Leão e a sua leitura do cangaço
O artista Crec Leão e a sua leitura do cangaço

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Publicada em 10/09/2017 às 08:12:00

O deputado federal André Moura (PSC), líder do governo Temer no Congresso Nacional, continua surfando no prestígio que tem junto ao governo para ampliar as suas bases no Estado. O deputado vem conseguindo recursos para praticamente todas as prefeituras de Sergipe e hoje já é o nome preferido dos grandes empresários para a disputa do governo estadual.

Na semana passada, foi a vez de Luciano Barreto, presidente da Asseopp e maior empreiteiro de Sergipe, defender a sua candidatura. A proximidade de Luciano com André é antiga e foi consolidada no ano passado, quando conseguiu incluir o nome do empresário entre os homenageados do Congresso Nacional. Desde então, Luciano Barreto vem promovendo encontros com pessoas influentes do Estado em favor de André.

Depois de ter atendido pleitos do governador Jackson Barreto, seu adversário histórico, junto ao governo federal, o deputado amplia seus contatos e agora tenta envolver o prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PCdoB), no seu projeto político.  Edvaldo foi eleito num pleito muito disputado, com o apoio do bloco do governador, mas, desde que assumiu, tem tentando ampliar espaços para garantir recursos para a PMA. Foi nessa condição que procurou André em Brasília e este acompanhou o prefeito na visita a alguns órgãos federais.

Na noite de sexta-feira, o líder do governo distribuiu nota informando sobre a liberação da emenda impositiva da bancada sergipana, no valor de R$ 63,1 milhões, para obras de pavimentação, esgotamento sanitário, drenagem e recapeamento asfáltico na capital. “Uma bomba do bem, capaz de mudar para melhor a vida de muitos aracajuanos, sobretudo os menos afortunados, além de gerar empregos e melhorar a renda”, festejou.

A liberação da verba pelo ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, atendeu a pedidos de André Moura e estará disponível já nos próximos dias para a Prefeitura de Aracaju na Caixa Econômica Federal. Por meio dela, serão atendidas comunidades carentes desse tipo de investimento, a exemplo do Japãozinho, Ponta da Asa, Moema Meire, Jardim Indara, Tia Caçula, Jardim Bahia, Santa Catarina, Guarujá, Monte Belo, Porto do Gringo, Paraíso do Sul, Areia Branca, Joel Nascimento, Jardim dos Coqueiros, Estrada do Aloque, Mosqueiro e São Carlos.

No dia 12 de agosto, Edvaldo se reuniu com o deputado e solicitou dele apoio na liberação da emenda impositiva da bancada de Sergipe no Congresso Nacional, alocada ao Orçamento de 2017, cujo prazo final para aprovar, reprovar ou solicitar complementação de propostas foi na sexta-feira. Conforme o prefeito explicou na justificativa técnica encaminhada ao ministério, a verba servirá para “atender aos aspectos social, ambiental, de saúde pública e, principalmente, para melhoria de acesso e locomoção dos moradores [de diversos bairros da cidade], gerando assim emprego e renda”.

De acordo com André, em momentos de crise para as prefeituras, recursos como os mais de R$ 63 milhões obtidos para a Capital provocam impactos positivos não apenas na melhoria da qualidade de vida, mas também incrementam a economia local. “Ao garantir esses investimentos para reforçar a infraestrutura urbana com equipamentos e serviços necessários ao desenvolvimento de Aracaju, melhoramos a vida das pessoas e, paralelamente, injetamos dinheiro na economia. Estou muito feliz por mais essa vitória”, comentou.

Ainda em Washington, Edvaldo Nogueira demonstrou alívio e agradeceu ao líder pelo trabalho realizado em Brasília. “Pensávamos que o recurso não poderia mais ser liberado por causa do prazo, porém, o deputado conseguiu a seleção da proposta no último dia possível. O prestígio de André Moura foi fundamental para liberá-la e graças ao deputado o aracajuano terá mais qualidade de vida”, disse o prefeito.

Edvaldo é mais uma liderança que pode se envolver no projeto político de André Moura.

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No dia 12 de agosto, Edvaldo Nogueira (PCdoB) se reuniu com o deputado e solicitou dele apoio na liberação da emenda impositiva da bancada de Sergipe no Congresso Nacional, alocada ao Orçamento de 2017, cujo prazo final para aprovar, reprovar ou solicitar complementação de propostas foi na sexta-feira

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Vinculada

Problemas judiciais

 

O deputado federal André Moura (PSC) vive um dilema: é o único político sergipano em condições em obter a liberação de recursos junto ao governo para o Estado de Sergipe e, por consequência, ampliar sua base política, mas não pode pensar em voos maiores no pleito de 2018, em função da sua frágil condição jurídica.

No pleito passado, em 2014, André já disputou as eleições sub judice, foi impugnado pelo TRE, não pode participar dos programas eleitorais e seus votos só foram computados no dia da diplomação dos eleitos, por decisão do atual presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes.

De lá pra cá, a condição jurídica de André só fez se agravar. Ele continua condenado em segunda instância por irregularidades praticadas na época em que foi prefeito de Pirambu e responde a processo por tentativa de homicídio, em análise no STF, além de envolvimento em crimes investigados pela ‘Operação Lava Jato’. Os recursos aguardam julgamento também no Supremo.

Apesar da visibilidade que vem tendo como líder do governo Temer, e a ampliação de sua base eleitoral em função da obtenção de recursos para obras, André não tem como pleitear cargos majoritários. Com o iminente risco de impugnação nas instâncias locais, deverá tentar a reeleição da mesma forma que em 2014. A impugnação de um candidato majoritário exigiria a substituição imediata da chapa, pois nenhum outro candidato se arriscaria por ele.

Hoje, Moura demonstra densidade política para disputar um mandato majoritário. Transmite mais liderança que o senador Eduardo Amorim (PSDB) e mais confiança de que o senador Valadares (PSB), com quem disputa a liderança da oposição. Mas tem os entraves jurídicos em função de condenações e denúncias ainda não julgadas.

Uma campanha majoritária a nível estadual requer ampla mobilização de lideranças e uma impugnação no tribunal local pode retirar o candidato dos programas do rádio e da tevê, fundamentais para quem quer se eleger governador ou senador. E pode dispersar todo o grupo.

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Ainda os fundos

 

Depois de intensas negociações para que a Assembleia Legislativa aprovasse a fusão dos fundos de previdência do Estado, o governador Jackson Barreto enfrentou outro problema para que a lei entrasse em vigor imediatamente: José Roberto de Lima, presidente do Sergipe Previdência, criou obstáculos para assinar toda a documentação para validar a lei.

Até a véspera do feriado de 7 de Setembro, ainda havia documentos pendentes, comprometendo o cronograma financeiro montado pelo governador.

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Dirceu e Palocci

 

O ex-ministro José Dirceu fez um contraponto entre a sua situação e a do também ex-ministro Antonio Palocci, como aponta a colunista Mônica Bergamo, da Folha. Segundo ele, é melhor morrer do que perder a dignidade e se tornar delator.

Dirceu também afirmou que Palocci sempre batalhou pelos próprios interesses – e não por uma causa coletiva. "Só luta por uma causa quem tem valor. Os que brigam por interesse têm preço. Não que não me custe dor, sofrimento, medo e às vezes pânico. Mas prefiro morrer que rastejar e perder a dignidade", afirmou.

Dirceu, condenado na ‘Operação Lava Jato’, disse ainda que prefere "morrer" antes de delatar.

No último dia 6, Palocci disse que a Odebrecht adquiriu um apartamento em São Bernardo do Campo (SP), para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e um terreno para a construção do Instituto Lula, como compensação pelas vantagens que a empresa recebeu durante o governo do petista. Ele depôs diante do juiz federal Sérgio Moro, em Curitiba (PR), na condição de réu da ação penal da ‘Lava Jato’ que apura estes fatos, apresentados em denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

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Belivaldo trabalha

 

O vice-governador Belivaldo Chagas (PMDB) mantém uma maratona por todo o Estado, com o objetivo de viabilizar a sua candidatura ao governo do Estado. O governador Jackson Barreto já confirmou que será candidato ao Senado em 2018 e terá que deixar o cargo no início de abril. Com isso, Belivaldo vai disputar o pleito na condição de governador, o que reforça a candidatura.

Apesar da ação nos bastidores do ex-deputado Rogério Carvalho (PT) para ser o candidato ao governo, Belivaldo não deverá ter maiores dificuldades para consolidar o seu nome. Pelos entendimentos já firmados, Rogério seria um dos candidatos ao Senado.

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Homenagem no Amapá

 

A Assembleia Legislativa do Amapá aprovou, por unanimidade, o projeto da deputada Edna Auzier (PSD) que concede o título de Cidadão Amapaense ao ex-deputado sergipano Gilton Garcia. Ele foi governador do antigo território há quase 30 anos, por indicação do então presidente Fernando Collor.

Gilton receberá a homenagem no mês de outubro.

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Mudança de partido

 

Políticos sergipanos aguardam a definição da reforma eleitoral, em tramitação no Congresso, para definir novos rumos partidários. A mudança mais expressiva pode ocorrer no PMDB, que pode passar para o controle do deputado federal André Moura, hoje no PSC.

A mudança é provocada pela direção nacional do PMDB, insatisfeita com a aliança entre o governador Jackson Barreto e o PT. JB e Belivaldo podem trocar de legenda. Jackson ingressou no PMDB - era MDB - na década de 1970, durante a ditadura militar.

O prazo para a definição é o início de outubro.