Ana Lúcia analisa violência e machismo a partir do assassinato brutal de professora

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Publicada em 14/09/2017 às 00:23:00

Em seu pronunciamento da tribuna da Assembleia Legislativa, a deputada estadual Ana Lúcia classificou como “barbaridade” o assassinato da professora Ivania Santana Souza Oliveira, que atuava na área pedagógica do Colégio Estadual Guilherme Campos, no município de Campo do Brito. Ivania foi brutalmente assassinada no estacionamento da escola, na noite desta terça-feira, 12.

Mais do que prestar sua solidariedade à família e aos amigos de Ivania, Ana Lúcia cobrou apuração do caso e fez uma profunda análise sobre o individualismo e o autoritarismo nas relações e a falta de controle do comportamento humano, que gera tanta violência na sociedade patriarcal, de consumo e preconceituosa em que vivemos.

Ana Lúcia ressaltou que, apesar de o homicídio ter ocorrido no ambiente escolar, não foi cometido por estudantes nem foi motivado por questões relacionadas ao cotidiano da escola. “Não vamos aceitar especulações de que o crime foi cometido por estudantes. Quando Ivania estava em sala de aula, era uma professora muito querida”, argumentou.

Para a parlamentar, a escolha do local do crime não foi à toa, é reflexo do descaso com a escola, instituição estratégica para a sociedade que, ao seu ver, está sendo tratada de forma vulgar e leviana. “A escola foi o espaço escolhido porque está banalizada, vulgarizada. As autoridades não estão respeitando os professores, os estudantes e os servidores”, resumiu.

 “Na medida em que a sociedade está perdendo os limites da convivência social - sendo cada vez mais violenta - e que a escola é o principal espaço de socialização da criança, este local está sendo escolhido para ser o palco das tragédias da nossa sociedade”, defendeu, ao passo que exemplificou outros casos de agressão: a professora que teve seu carro queimado na escola em que lecionava, em Nossa Senhora do Socorro; a bala perdida que atingiu um professor, por uma briga entre dois estudantes; o caso de suicídio da professora que estava há três meses sem salário; e o caso do professor Carlos Christian, que levou cinco tiros em sala de aula, tornando-se paraplégico e hoje representa símbolo de resistência à violência na escola.

O feminicídio é fruto de uma cultura machista, que por sua vez é muito violenta. “A violência simbólica  – adjetivar, desqualificar, estigmatizar – é frequentemente encarada como uma coisa normal. Em geral, a violência contra a mulher começa pela violência psicológica e termina com a violência física”, lamentou a deputada.