A Bíblia e o celular

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Publicada em 14/09/2017 às 00:50:00

Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB

 

Para os meus “vinte e cinco leitores” (chiste do grande escritor italiano Alexandre Manzoni – 1785-1873) quero reproduzir hoje interessante trecho de um livro de reflexões de uma mãe cristã, intitulado “Diário de uma Mãe”. A autora é Ana Inês Ribeiro, irmã mais velha de 10 filhos. De seus 13 filhos, um exerce intenso apostolado de comunicação pelo rádio e em shows-mensagens por todo o Brasil – é o Pe. João Carlos Ribeiro.

Ana Inês foi professora primária em vários engenhos da Mata Sul de Pernambuco, onde seu esposo, João, era plantador de cana e depois, pequeno proprietário agrícola. Ana, com boa formação cristã vivida nas comunidades de base e nos encontros de formação para evangelizadores, desenvolveu verdadeira paixão pela leitura e por escrever cartas e reflexões. Diz ela: “Quando ainda namorava com João, cheguei a escrever 66 cartas no mesmo ano. Sempre recebo agendas e cadernos e tem sido neles que escrevo minhas reflexões. Como já tenho muitos escritos, vez por outra dou para meus filhos, caso eles queiram ler...”.

O capítulo que escolhi traz o sugestivo título “A Bíblia e o celular”. É fruto de suas pesquisas e muito interessante. Ei- lo:

“Já imaginou o que aconteceria se tratássemos a nossa Bíblia do jeito que tratamos o nosso celular? E se sempre carregássemos nossa Bíblia no bolso ou na bolsa? E se déssemos umas olhadas nela várias vezes ao dia? E se voltássemos para apanhá-la quando a esquecemos em casa ou no escritório...? E se a usássemos para enviar mensagens aos nossos amigos? E se a tratássemos como se não pudéssemos viver sem ela? E se déssemos de presente às crianças? E se a usássemos quando viajamos? E se lançássemos mão dela em caso de emergência? Diversamente do celular, a Bíblia não fica “sem sinal”. Ela “pega” em qualquer lugar. Não é preciso preocupar-se com a falta de crédito, porque Jesus já pagou a conta e os créditos não têm fim. E o melhor de tudo: não cai a ligação e a carga da bateria é para toda a vida”.

O capítulo ainda traz “os telefones de emergência”, dos quais vou citar só alguns.

“Quando você estiver nervoso – ligue salmo 51; quando preocupado, ligue Mateus 6, 19; quando em perigo, ligue salmo 91; quando solitário e com medo, salmo 23; quando se sentir triste e sozinho, ligue Romanos 8, 31-39”.

O exemplar do livro de Ana Inês Ribeiro, que me foi oferecido, trazia a mais apropriada das motivações: “Quanta coisa bonita uma mãe cristã pode nos ensinar!”.

 

Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB é Arcebispo Emérito de Maceió

(foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)

dedvaldo@salesianorecife.com.br