Prefeitura pede a decretação de ilegalidade da greve dos professores

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Publicada em 27/09/2017 às 01:25:00

Milton Alves Júnior


Em greve desde a segunda quinzena do mês de julho, professores da rede municipal de ensino permanecem de braços cruzados a fim de pressionar a Prefeitura de Aracaju para respeitar a atualização do piso nacional do magistério, e, de imediato, também repassar aos mais de 1.700 profissionais todo o débito acumulado entre os meses de janeiro e setembro. A postura democrática contra o prefeito Edvaldo Nogueira permanece firme, mesmo após a Secretaria Municipal de Educação, e a Procuradoria Geral do Município terem comunicado na manhã de ontem que o poder executivo da capital estava acionando o Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe para que venha a decretar irregularidade da greve.

Se mostrando surpresa com o pedido formulado pela administração pública, a direção do Sindicato dos Profissionais do Ensino do Município de Aracaju (Sindipema) lamenta que a atual gestão esteja repetindo erros cometidos em um passado próximo. Para o presidente sindical, professores Adelmo Menezes, a falta de diálogo e respeito aos direitos da classe trabalhadora têm contribuído para que a categoria multiplique a impaciência junto ao prefeito. Enquanto a PMA busca a ilegalidade do movimento, o próprio Sindipema reforça o pedido protocolado na sexta-feira da semana passada, dia 22, na sede do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE).

"A partir do momento em que um gestor municipal deixa de atender a um direito dos servidores e busca a justiça para barrar uma mobilização pacífica e justa, difícil é manter todos os colegas dentro do limite de paciência. Ainda não fomos notificados oficialmente quanto à esse pedido, mas de antemão lamentamos a postura fria adotada pela gestão", declarou Adelmo. A principal causa da greve segue sendo o fato de a PMA permanecer sem conceder o reajuste salarial de 7,64% determinado pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Educação (MEC), em janeiro deste ano. Essa definição federal aprovada e sancionada pelo presidente Michel Temer impulsionou os vencimentos mensais dos professores de R$ 2.135,64, para R$ 2.298,80.

 

Contraponto - Para a secretaria municipal de dedicação, Cecília Leite, a gestão trabalha baseada em responsabilidade. "Não podemos assumir um pagamento que nós temos consciência que não teremos como honrar. A Semed trabalha, em 2017, com um passivo de cerca de R$42 milhões e com um orçamento R$30 milhões menor que o de 2016. Para fazer o pagamento desse passivo precisamos de aproximados 18 meses, que são contados desde janeiro de 2017. Seria uma irresponsabilidade dizer que temos condição de pagar o reajuste e depois voltar a atrasar salário por não ter condição de honrar. Isso também é respeito ao professor. Antes, os professores viviam em instabilidade extrema, sem nem saber quando iriam receber. Por isso, hoje, pedimos a compreensão da categoria", informou