Polícia vai apurar se carro roubado foi mesmo negociado em leilão da SMTT

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 28/09/2017 às 06:30:00

Gabriel Damásio

 

A Polícia Civil vai investigar a denúncia de que um carro com placas clonadas e restrições de roubo ou furto pode ter sido ofertado e arrematado em um leilão da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), em outubro do ano passado. O caso foi revelado ontem pelo vereador Cabo Amintas (PTB), que fez um pronunciamento na Câmara Municipal de Aracaju (CMA) e acompanhou o registro da ocorrência no Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária (Deotap).

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), dois inquéritos policiais foram instaurados, sendo um no próprio Deotap e outro na Divisão de Roubos e Furtos de Veículos (DRFV), o qual já estava em andamento. A polícia informou ainda que um ofício foi remetido pelo Deotap à direção da SMTT, pedindo esclarecimentos sobre o caso. No departamento, o objetivo da investigação é avaliar se houve dolo da administração pública no repasse do veículo. Já na DRFV, o inquérito apura o roubo do carro, a clonagem da placa, como aconteceu esse repasse e quem foram os responsáveis pelos crimes.

A queixa foi prestada por um policial militar que participou da oferta pública de veículos apreendidos pela SMTT, realizado em 21 de outubro de 2016. Na ocasião, ele arrematou um carro VW Golf de cor branca e ano 2014, ao preço de R$ 35.280, incluindo as taxas e multas. À polícia, o militar informou que descobriu o problema cinco meses depois, pois enfrentou dificuldades para concluir o processo de transferência da propriedade do veículo junto ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Em uma checagem ao banco de dados do órgão, descobriu-se que o Golf tinha sido roubado no bairro 13 de Julho (zona sul), antes de ser guinchado pela SMTT, em julho do ano passado.

Em seu pronunciamento, Amintas revelou que a placa do carro vendido foi clonada de outro veículo, pertencente a um funcionário do próprio órgão municipal de trânsito. O vereador fez duras críticas à conduta do órgão, destacou que o comprador correu risco de ser preso em flagrante e indicou que outros participantes do leilão já procuraram a polícia para fazer a mesma denúncia. “O cidadão estava em posse de um veículo roubado, e se ele fosse preso? Quem iria pagar por isso? Outro cidadão comprou um carro, embora o veículo não tenha sido roubado, os vidros que estão nele são de um carro roubado. E a SMTT virou um desmanche de veículos, é?”, disparou. O vereador reclama ainda que houve dificuldades por parte do comprador para receber o dinheiro de volta, além de dúvidas sobre o real destino da quantia paga após o leilão.

A SMTT divulgou nota oficial, na qual reconhece que houve uma “falha técnica”, pois a checagem da situação do Golf não aconteceu na apreensão do Golf e nem na sua posterior oferta em leilão, em outubro de 2016. “Embora o erro tenha sido cometido na administração anterior, a atual gestão está empenhada em solucionar o caso, já tendo iniciado o processo de devolução do dinheiro da compra do veículo em questão ao arrematante e colaborando com o Deotap para que a situação seja logo esclarecida”, diz o órgão.

Ainda conforme o comunicado, a diretoria atual orientou que os agentes de trânsito foram verifiquem a situação do veículo no momento da apreensão e, caso haja restrição de roubo, encaminhem o caso diretamente à DRFV. A SMTT considera que a situação “trata-se de um caso isolado, que não reflete o procedimento de apreensão de veículos como um todo, e muito menos aponta para a existência de um ‘desmanche de veículos’ no pátio, como foi apontado pelo vereador Cabo Amintas”.