Crônicas de maldizer

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Nada de tapinhas nas costas. Foto: Divulgação
Nada de tapinhas nas costas. Foto: Divulgação

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Publicada em 28/09/2017 às 06:53:00

Rian Santos

riansantos@jornaldodiase.com.br

 

No dia quando eu finalmente publicar um livro, as crônicas de maldizer terão de ocupar um capítulo especial no volume. Não por gosto do escândalo, uma suposição sempre legítima, ainda mais em tempos de shares e likes, e excesso de exposição nas redes sociais. Mas em função de um consenso mentiroso, em voga aqui e agora, nivelando a sensibilidade nativa por baixo.

É certo que a política do tapinha nas costas, transformando jornalistas e críticos de música em massagistas de egos inflados, não é um fenômeno exclusivo da pouca inteligência Serigy. Segundo levantamento recente, publicado em ‘The Wall Street Journal’, a crítica mais rigorosa foi banida dos periódicos, virou persona non grata. As razões seriam diversas, todas relacionadas a uma espécie de economia do pensamento crítico – Um efeito perverso da multiplicação das vozes celebrada pela internet.

 

A reportagem ‘O que aconteceu com a crítica negativa?’, assinada por Neil Shah, passou um pente fino em milhares de críticas reunidas no Metacritic, um site especializado. Entre 2012 e 2016, a plataforma considerou 7287 álbuns. Apenas oito receberam avaliação negativa.

 

“Isso dá a impressão de que há um apetite menor pela crítica mais séria, ou que nossa cultura decidiu que isso já não importa tanto”, diz Amanda Petrusich, professora assistente na New York University, que leciona Jornalismo Musical e escreve para a revista The New Yorker. “Isso faz com que a crítica se torne uma extensão de relações públicas”.

 

Não aqui. Não enquanto eu estiver empregado no Jornal do Dia. Firmei um acordo tácito de honestidade com o leitor deste diário. Tal arranjo prescinde de minhas simpatias. É certo que o exercício de relativização estética não estará nunca a salvo de desvios e revisões, mas não serei eu a colaborar com a cultura da brodagem que durante tanto tempo sufocou os tambores da aldeia sob os travesseiros confortáveis da complacência. 

Eu não sou legal.