Cabo da PM mata agente da Polícia Civil durante briga de bar no Centro

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O agente Wilson estava há cerca de 20 anos na Polícia Civil. Foto: Divulgação
O agente Wilson estava há cerca de 20 anos na Polícia Civil. Foto: Divulgação

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Publicada em 01/10/2017 às 06:56:00

Gabriel Damásio

 

Uma briga de bar envolvendo dois policiais armados terminou em tragédia no final da noite desta sexta-feira. Por volta das 23h, o agente Wilson Oliveira dos Santos, 51 anos, que trabalhava na Delegacia Regional de Lagarto, foi assassinado pelo cabo Alberto Silva Santos, lotado na 3ª Companhia Independente de Polícia Militar (3ª CIPM), em Laranjeiras (Vale do Cotinguiba). O crime aconteceu em uma barraca de churrasquinhos situada ao lado do prédio da Assembleia Legislativa, na Praça Fausto Cardoso, centro da capital.

Segundo as informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o militar estava de folga e bebia no local acompanhado da namorada. Em um determinado momento, ele começou a discutir com Wilson e, de acordo com testemunhas, o acusava de assediar a garota. A discussão evoluiu para uma troca de agressões e em seguida, os dois sacaram suas armas. A partir daí, há informações desencontradas: algumas pessoas afirmam que os policiais trocaram tiros, enquanto outras dizem que apenas o cabo disparou, acertando a cabeça do agente no momento em que ele tirava sua arma da cintura. Wilson morreu na hora e Alberto foi preso em flagrante por uma equipe de serviço da própria PM.

Tanto o comandante-geral da corporação, coronel Marcony Cabral, quanto a delegada-geral da Polícia Civil, Katarina Feitoza, frisaram que a iniciativa de chamar a polícia foi do próprio acusado. “O policial militar aguardou no local, foi ele quem chamou a guarnição e o oficial-de-dia encaminhou ele ao QCG [Quartel do Comando Geral] e depois para a Delegacia Plantonista Sul, onde foi lavrado o procedimento”, explicou Katarina. Foram acionadas equipes do 8º Batalhão da PM (8º BPM), do Instituto de Criminalística e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que instaurou um inquérito policial sobre o caso.

Algumas testemunhas foram ouvidas ao longo da madrugada e da manhã deste sábado. O coronel Marcony confirmou que a pistola do cabo foi apreendida, mas não disse se a arma era pessoal ou pertencia à corporação. “Isso tudo está sendo investigado, as informações estão sendo buscadas e qualquer informação fora do que for apurado pelo inquérito instaurado é mera especulação. Qualquer informação que dermos agora é precipitada”, afirmou. Ainda segundo o comandante, nenhum procedimento será instaurado sobre o caso na esfera administrativa ou disciplinar. “As medidas agora serão da Justiça Criminal, porque ele estava de folga e em ambiente de lazer. Essa situação será conduzida fielmente à luz da legislação penal”, concluiu.

Após ser autuado na Plantonista Sul, o cabo Alberto foi conduzido ao Presídio Militar (Presmil), onde está detido. Por volta das 11h de sábado, ele passou por uma audiência de custódia no Fórum Gumercindo Bessa e teve a prisão preventiva decretada pelo juiz plantonista Carlos Rodrigo de Moraes Lisboa. O magistrado considerou que a confusão foi provocada por motivo fútil e colocou a vida de outras pessoas em risco. “Como se vê, trata-se ato de reprovável ação, seja por serem autor e vítima, ambos agentes de segurança pública – dos quais se exige o combate à violência cotidiana –, bem como pelo local do crime – via pública com a presença de número considerável de pessoas que poderiam ser possíveis vítimas da ação. (...) Desse modo, o acusado não merece aguardar em liberdade a conclusão do inquérito e do processo.”, escreveu o juiz, em sua decisão.

 

Isolado – Em coletiva de imprensa na manhã de sábado, Marcony e Katarina definiram o incidente como “uma tragédia” para a SSP, mas ressaltaram que ele foi um fato isolado e não reflete um atrito entre as polícias Civil e Militar, nem afeta a integração entre as instituições. “Somos uma polícia única aqui em Sergipe, apenas com atribuições diferenciadas. Essa situação é lamentável, mas poderia ter acontecido em qualquer local e os envolvidos nela poderiam ser policiais ou pessoas comuns do povo. Aconteceu em um ambiente público e um não sabia da condição de policial do outro”, ressaltou a delegada.

Por sua parte, o coronel afirmou durante a coletiva que os policiais devem tirar como lição do episódio a necessidade de ter cautela com determinados locais a serem freqüentados. “O policial, por ser uma autoridade que vive o embate com o crime e tira meliantes de circulação, tem que observar onde ele está, se é um local que não é vulnerável para outras pessoas mas para ele é. Até pelo fato de ele estar portando armas ou coisas do tipo. A lição vale pra todos nós, e não me refiro especificamente a aquele local [onde aconteceu o fato], mas a qualquer lugar que nos torne vulneráveis”, esclarece o comandante.

O agente Wilson estava há cerca de 20 anos na Polícia Civil e também atuava como corretor de imóveis, chegando a ser candidato a vereador nas eleições de 2004. Ele era casado e pai de três filhos. O corpo foi enterrado sábado à tarde no Cemitério São Benedito, no Centro.