Testemunha da morte de policial diz que foi registrado um grande tiroteio

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Publicada em 03/10/2017 às 06:23:00

Gabriel Damásio

 

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil pode requisitar imagens de câmeras de monitoramento instaladas no entorno da Praça Fausto Cardoso, no Centro, onde aconteceu o confronto que resultou na morte do policial civil Wilson Oliveira dos Santos, 51 anos. Ele levou um tiro na cabeça depois de se envolver em uma briga na noite desta sexta-feira, em uma barraca de churrasquinhos situada ao lado da Assembleia Legislativa. O cabo da Polícia Militar Alberto Silva Santos, apontado como autor do tiro que matou o agente, está detido no Presídio Militar (Presmil) e teve a prisão preventiva decretada no sábado pelo juiz plantonista Carlos Rodrigo de Moraes Lisboa.

Ontem, o delegado Kássio Kelinton Viana, responsável pelo inquérito do caso no DHPP, ouviu depoimentos de novas testemunhas do incidente, durante todo o dia de ontem. Entre elas, está o proprietário da barraca onde o crime ocorreu. De acordo com Kassio, o dono disse ter presenciado uma “pequena discussão” entre os policiais, pois o cabo acusou o agente de ter supostamente assediado sua namorada. No momento, a vítima jogava dominó com amigos em bancos situados ao lado do bar. De acordo com a testemunha, passou-se um momento depois desta discussão, até que Alberto teria derrubado Wilson no chão com um soco. Em seguida, aconteceu uma grande troca de tiros.

O advogado de defesa do militar, Márlio Damasceno, já trabalha com a tese de que o militar teria atirado em legítima defesa e apresentou este argumento já na audiência de custódia que manteve a prisão de Alberto. De acordo com Márlio, os primeiros disparos teriam partido do agente de polícia. “Todos os depoimentos que constam do auto de prisão em flagrante relatam que foi o civil quem atirou primeiro. Ele [Alberto] afirma que, quando o policial [Wilson] sacou a arma e atirou, ele se abrigou atrás de uma árvore para se proteger. Se a perícia for para o local, vai encontrar marcas de marcas de munição na própria árvore e em outros locais da praça”, disse.

Algumas informações levantadas pela polícia devem confirmar que houve um tiroteio entre os policiais naquela noite. Fotos que circularam nas redes sociais mostram que uma pistola calibre ponto 40 estava caída junto ao corpo de Wilson e que a arma estava com o ferrolho aberto, um indicativo de que toda a munição da pistola foi usada. Outro detalhe indica que a mão esquerda aparenta estar com a palma levemente escura, como se estivesse com marcas de pólvora. Estas análises, contudo, só poderão ser confirmadas com a finalização dos exames periciais dos institutos Médico-Legal (IML) e de Criminalística. A intenção do delegado Kássio Viana é recolher imagens das câmeras de segurança para esclarecer como se deu a dinâmica do incidente, em comparação com os depoimentos e as perícias.

Damasceno disse ainda que a mulher apontada como pivô do episódio “confirmou a história” apresentada pelo militar após sua prisão dele, e que a suposta ‘cantada’ que havia sido dada pelo agente – tida como principal motivo do confronto – “não é negada” pela mulher em seu depoimento. “Estamos nos cercando ainda de alguns documentos, de algumas informações, para embasarmos melhor a nossa defesa”, afirma o advogado, ao preferir não dar outros detalhes sobre sua atuação no caso. Contudo, ele frisou que Alberto não sabia da condição profissional de Wilson e ficou na praça depois que tudo aconteceu. “Em nenhum momento ele se evadiu do local ou pensou em fugir. O cabo permaneceu no local, acionou o Samu, acionou a PM e só foi tirado do local para ir prestar depoimento na Delegacia Plantonista”, destaca o defensor.

O corpo do agente Wilson, que era lotado na Delegacia Regional de Lagarto, foi enterrado sábado à tarde no Cemitério São Benedito, no Centro. Em entrevista coletiva dada horas antes, a delegada-geral da Civil, Katarina Feitoza, e o comandante-geral da PM, coronel Marcony Cabral, definiram que o incidente é “uma tragédia” para Secretaria da Segurança Pública (SSP), mas se trata de um fato isolado passível de acontecer “em qualquer local e com qualquer pessoa”. Para os comandos, o caso não reflete um atrito entre as polícias Civil e Militar, nem tem poder para afetar o trabalho de integração entre as instituições.