BR nunca mais

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Canja de galinha não faz mal a ninguém
Canja de galinha não faz mal a ninguém

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Publicada em 11/09/2012 às 03:00:00

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Dizem que a vida começa aos 30. A minha quase acabou aos 32. Renascido, com um rombo do tamanho de uma bola de tênis na cabeça, finalmente me dobrei ao filtro solar. O conselho é bom, apesar de Pedro Bial. Air bag, cinto de segurança, suco de beterraba e granola. No pouco tempo que me resta (a prorrogação do jogo não dura mais de quinze minutos), vou virar as páginas dos livros com pressa e chorar no cinema, escondido. Quero dois filhos. Canja de galinha não faz mal a ninguém.

Encaretei. Os manuais de autoajuda e a palavra costurada nos evangelhos não me balançam, mas os grãos da ampulheta nunca escorregaram tão ligeiro. Eu sou o menino que descobre o amor num brinquedo partido. Ao redor, somente os meus discos, temores, afetos e amigos.

BR nunca mais. As histórias de Dona Baia - avó postiça, roubada à família de minha esposa - vão ter de aguardar a construção de um aeroporto em Frei Paulo. Monumentos podem desabar certos de minha indiferença. As vergonhas encardidas nos mapas estão livres de minha curiosidade.

Cara de pau e filtro solar. Cada sílaba me custa um gemido. Daqui pra frente, os releases, spans, picuinhas e aparências vão parar sempre no saco de lixo.