Morte de adolescente pela polícia na Cidade Nova é reconstituída

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Publicada em 04/10/2017 às 00:22:00

Foi realizada na tarde de ontem a reprodução simulada dos incidentes que resultaram na morte do adolescente Bruno Santana Santos de Jesus, 15 anos, baleado em 17 de janeiro deste ano após uma incursão de soldados do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar. A perícia aconteceu em uma casa na Rua Coronel José Pacheco Lima, bairro Cidade Nova (zona norte), onde o rapaz morreu baleado. A polícia sustenta que ele teria provocado um confronto armado com os policiais, o que é negado pela família.

A simulação foi realizada por equipes do Instituto de Criminalística, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), que isolou a rua com viaturas e policiais em serviço. A imprensa não teve acesso ao local e os familiares do adolescente tiveram que sair da casa por orientação dos peritos. A avó de Bruno mora no local. Um promotor do Ministério Público Estadual (MPE) que coordena as investigações do caso acompanhou os trabalhos.

Bruno era apontado pela PM como principal suspeito do assassinato do sargento reformado Adalberto dos Santos Filho, ocorrido na véspera do incidente, em uma tentativa de assalto no bairro 18 do Forte. Na ocasião, os soldados cercaram a casa da avó do rapaz e entraram para buscá-lo. O comando da PM afirmou que Bruno teria sacado um revólver e disparado contra a equipe do COE, provocando a reação. A família, por sua vez, relata que os policiais perseguiram o menor dentro da casa e o mataram com três tiros, mas nenhuma arma foi encontrada durante as buscas.

O DHPP instaurou inquérito para investigar o suposto confronto, depois que a morte do sargento foi confessada pelo presidiário Revisson Santos Costa, 30 anos. No dia seguinte à morte de Bruno, Revisson foi preso por policiais civis e entregou a pistola calibre ponto 40 que pertencia à vítima, além de um revólver calibre 32, usada para matar o policial. O inquérito da Delegacia de Roubos e Furtos (Derof) concluiu que o adulto foi o único executor do crime, descartando a participação do adolescente. O MP e a SSP não repassaram informações sobre o estágio atual desta investigação.