Padroeiros das Missões

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Publicada em 05/10/2017 às 06:30:00

Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB

 

A liturgia católica celebra o mês de outubro como o Mês das Missões. São dois os padroeiros das missões, escolhidos pelo Papa Pio XI: São Francisco Xavier e Santa Teresinha de Lisieux. Dificilmente se poderia encontrar uma dupla de padroeiros com biografias tão diferentes.

Francisco nasceu em 1506, no castelo que levava o nome de sua mãe, Maria Xavier, dos nobres de Navarra. O pai o envia a estudar em Paris. Foi lá que teve, como colega de quarto, Inácio de Loiola. Em 1534, com Inácio liderando um grupo de mais quatro companheiros, forma a Companhia de Jesus. De Veneza, onde se ordenara sacerdote, pensando ir para a Terra Santa, Francisco Xavier é enviado por São Inácio, para Lisboa, para daí ser enviado às missões das colônias portuguesas no Oriente. Em 1541, parte para a Índia, é missionário em Goa, depois no Ceilão (atual Sri Lanka), na Índia, no Japão, na China e na Indonésia oriental, batizando milhares de nativos desses países todos. Foi chamado o Apóstolo das Índias e é considerado o maior evangelizador da história da Igreja, desde o apóstolo São Paulo. Faleceu em 3 de dezembro de 1552, na ilha de Sanchoão. Seu corpo é hoje conservado na Basílica do Bom Jesus de Goa, onde tive a felicidade de venerá-lo.

Bem diversa foi a vida da outra padroeira, Teresinha de Lisieux. Carmelita descalça, Teresinha viveu e morreu em Lisieux, na Normandia, onde nasceu em 2 de janeiro de 1873 e onde morreu aos 24 anos de idade, em 30 de setembro de 1897. Uma única vez saiu da França, para ir em peregrinação a Roma. Entrou no Carmelo de Lisieux com apenas quinze anos. Sua vida, de monja carmelita, é a mais singela que se possa imaginar. Ela é contada, entre seus muitos escritos e poesias, na autobiografia, chamada História de uma alma (1898), revista depois em edição crítica e divulgada, com o subtítulo de Manuscritos autobiográficos, em 1972, para o centenário de seu nascimento. Nesta obra, vê-se bem delineado o espírito missionário da Santinha de Lisieux. Diz ela: “Quisera ser missionária não somente por espaço de alguns anos; quisera sê-lo desde a criação do mundo até a consumação dos séculos. Como essas aspirações se iam tornando verdadeiro martírio para mim, abri um dia a 1.ª Carta aos Coríntios, de São Paulo, e li que não podem todos ser a um tempo apóstolos, profetas e doutores; que a Igreja é composta de diferentes membros e não podem os olhos ser mãos ao mesmo tempo. E continua São Paulo: ‘Aspirai a melhores dons e eu vou mostrar-vos um caminho ainda mais excelente’. E o Apóstolo explica como todos os dons, ainda os mais perfeitos, nada são sem o Amor. A caridade veio dar-me a chave da minha vocação. Entendi que no amor estão encerradas todas as vocações, que o amor é tudo, que abrange todos os tempos e lugares, porque é eterno! No auge da minha alegria, exclamei então: Ó Jesus, meu amor, até que enfim descobri minha vocação, encontrei meu lugar na Igreja. No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor! Assim, serei tudo; assim se realizará o meu sonho!”. Aí está como Teresa, do convento carmelita de Lisieux realizou sua vocação missionária, sem ir para o Carmelo de Hanoi, na possessão francesa da Indochina, hoje Vietnam, como chegou a ser planejado, e se tornou patrona das missões.

É que a força e a vitalidade da igreja missionária estão na oração e na vivência da caridade, que anima o corpo da Igreja.

 

Dom Edvaldo Gonçalves Amaral, SDB, é Arcebispo Emérito de Maceió (foi Bispo Auxiliar de Aracaju - 1975 a 1980)

dedvaldo@salesianorecife.com.br