Bandidos fazem reféns e explodem agência de banco em Itabaianinha

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Toda a agência foi destruída pelos bandidos. Foto: Disparo de Notícias
Toda a agência foi destruída pelos bandidos. Foto: Disparo de Notícias

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Publicada em 08/10/2017 às 06:40:00

Gabriel Damásio

 

Uma madrugada de terror foi vivida neste sábado pelos moradores de Itabaianinha (Sul). Por volta das 3h30, mais de 10 criminosos fortemente armados explodiram os caixas eletrônicos de uma agência do Banco do Brasil no centro da cidade, além de tomar dezenas de pessoas como reféns. Entre as vítimas, estão feirantes, moradores de rua e cerca de 40 clientes de uma choperia que fica próxima ao banco. Toda a ação durou cerca de 40 minutos e amedrontou toda a cidade.

As primeiras informações apuradas pela polícia dão conta que os criminosos chegaram à cidade em pelo menos três veículos e dois deles se posicionaram nos acessos de entrada e saída do centro do município. O terceiro seguiu para a porta do banco. Em seguida, depois de tomarem posições, os criminosos começaram a atirar para o alto e render todos os que passavam pelo caminho, incluindo os clientes e funcionários do bar. Todos estavam encapuzados e carregavam fuzis, escopetas calibre 12 e pistolas de uso restrito.

“Eram em torno de 10 [bandidos] na choperia, mas dava para ver que tinha outros na praça e na esquina com um carro parado. Eles renderam até pessoas que estavam passando pra ir à feira, deixaram elas deitadas no chão próximo ao banco. Deu para ver que tinham pistolas e escopetas, e os tiros eram pra cima. Eles pediram pra o pessoal entrar nas casas e fechar as portas, não chamar a polícia”, contou uma testemunha, explicando que sábado é o dia da principal feira livre de Itabaianinha.

Logo depois, parte dos criminosos obrigou os reféns a andarem até a praça e ficarem ali com as mãos para cima, enquanto os outros arrebentavam a porta da agência do BB e posicionavam as bombas nos caixas. Duas explosões fortes foram ouvidas pelos vizinhos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou que, “devido ao grande poder de explosão dos artefatos utilizados na agência do Banco do Brasil, outros imóveis acabaram atingidos, a exemplo da agência da Caixa Econômica Federal”, vizinha ao BB. Os populares relataram ainda que a Caixa não foi assaltada, mas sim atingida por tiros disparados pela quadrilha. O atendimento nas unidades foi suspenso.

Um mendigo que dormia na porta dos bancos foi acordado pela chegada dos marginais, que o obrigaram a ficar ali parado. “Dava pra escutar um monte de coisa que eles falavam. Eles falavam assim: ‘O que é que tem aí, hein? Se você se mexer aí, a gente te explode junto com o caixa!’. E eu lá quietinho no canto da parede. Eu ia me levantar pra onde, rapaz? Se eu me levantasse, eles atiravam em mim. E perguntavam se eu estava armado e disse que não. Eles estavam com dinamite e gritaram: ‘Ó, acendi a dinamite lá. Corre!’, e todo mundo correu. Voltaram depois e saíram levando os sacos de dinheiro”, descreveu a testemunha em uma gravação.

Estima-se que quatro caixas eletrônicos da agência foram destruídos e o dinheiro guardado neles, não contabilizado até a manhã de ontem, foi roubado. Na fuga, os bandidos levaram alguns reféns como escudos humanos, mas os libertaram após saírem da cidade. Em seguida, eles fugiram em direção à cidade vizinha de Umbaúba. Mesmo com medo, alguns moradores registraram a movimentação e tentaram chamar a polícia, mas de acordo com outra testemunha, havia poucos policiais de plantão em Itabaianinha. “Não tinha polícia e a delegacia de lá só funciona com um policial de plantão noturno. Lá, na verdade, quase não tem policiamento. Meu pai ligou pra delegacia durante o assalto, mas não atenderam. Eles chegaram pouco depois”, disse ela.

A SSP informou que reforços policiais foram enviados à Itabaianinha e as investigações começaram assim que a ocorrência foi confirmada. Estiveram no local as equipes do Comando de Operações Especiais (COE), do Grupo de Ações Táticas do Interior (Gati), da Companhia Especial de Operações em Área de Caatinga (Ceopac) e do 11º Batalhão de Polícia Militar (11º BPM). Pela manhã, peritos do Instituto de Criminalística estiveram na agência do BB para coletar vestígios e analisar a cena do crime. Um delegado e vários agentes do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), também foram à cidade e instauraram um inquérito para investigar as explosões.

 

Outros roubos – Este não foi o primeiro crime cometido na agência do BB em Itabaianinha. Em 7 de fevereiro de 2013, ela foi destruída por cerca de 15 homens armados, que também atacaram uma agência do Bradesco e, além do dinheiro, roubaram a arma de um vigia da Prefeitura local, cujo teto também foi destruído. O ataque foi atribuído a uma quadrilha presa três meses depois em Campina Grande (PB), após ter atacado outras agências nos estados de Sergipe, Ceará, Paraíba e Pernambuco.

No mesmo ano, em 3 de julho, outros seis assaltantes seqüestraram o gerente da mesma agência, a namorada e o filho dele, que foram ameaçados de morte durante 14 horas. Na manhã seguinte, o funcionário foi obrigado a entrar no banco, desarmar os vigilantes e entregar-lhes R$ 700 mil que estavam no cofre. Os reféns foram libertados durante a fuga dos criminosos, que foram presos meses depois pelo Cope em Itabaianinha, Camaçari (BA) e Serra (ES).