Justiça condena acusados de enterrar pedreiro em obra

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Publicada em 08/10/2017 às 06:45:00

Depois de quase 24 horas de um julgamento realizado em dois dias no Fórum Gumercindo Bessa, no Capucho (zona oeste), o 2º Tribunal do Júri da Comarca de Aracaju condenou os três acusados pelo assassinato do técnico de iluminação Crizzan Cruz Santos, cujo corpo foi encontrado em 15 de março de 2015 e estava enterrado no canteiro de obras de um posto de saúde na Rua Tenente Wendell Quaranta, no bairro Suissa (zona sul). A sentença foi proferida às 21h30 desta sexta-feira e decidida por maioria dos jurados.

O pedreiro Nailton Vitório dos Santos, apontado como principal executor do crime, foi punido com 31 anos e 11 meses de prisão, mais o pagamento de 60 dias-multa. Ele é considerado culpado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e furto, já que ele foi flagrado com a bicicleta de Crizzan em 27 de fevereiro, logo após ao dia em que, segundo a polícia, o pedreiro foi agredido, amarrado e enterrado vivo no terreno do posto de saúde. Já os outros réus foram culpados pelo homicídio triplamente qualificado e pela ocultação de cadáver. O vigilante Carlos Ruan Andrade Vieira recebeu a pena de 23 anos e três meses de reclusão, com 20 dias-multa, enquanto o mestre-de-obras Edinaldo Andrade foi condenado a 20 dias-multas e 23 anos e seis meses de reclusão.

Edinaldo era o único réu que respondia ao processo em liberdade e, por isso, teve a prisão preventiva decretada pela juíza Soraia Gonçalves de Melo, que presidiu o júri. Os outros dois, Ruan e Nailton, confessaram o crime ao serem presos. No entanto, ao serem interrogados pela juíza e pelas bancas de acusação e defesa, eles apresentaram versões diferentes e afirmaram que Edinaldo não participou do crime, mas, na avaliação do Ministério Público e de familiares de Crizzan que assistiram ao julgamento, os dois caíram em contradições perante o tribunal. O encarregado, por sua vez, negou o crime e deu poucas declarações.

Em sua sentença, Soraia afirmou que a morte do colega de trabalho foi praticada com “frieza e consciência”, por motivo fútil e sem que ele tivesse chances de defesa. “As consequências do delito foram graves, conforme a prova testemunhal colhida em plenário, mormente o depoimento da testemunha (...) que afirmou que, assim como os pais da vítima, recebia ajuda financeira de Crizzan, passando a não mais contar com tal suporte material”, escreve a magistrada, considerando ainda que “o comportamento da vítima em nada contribuiu para a atuação dos agentes”. Especificamente sobre Edinaldo, a magistrada declarou que a análise das provas apresentadas e dos detalhes da atuação do réu “demonstra a sua personalidade fria e extremamente violenta, desencadeando na inegável incompatibilidade para o convívio social, de modo que a sua liberdade coloca em grave risco a ordem pública”.

Crizzan tinha 21 anos, trabalhava como pedreiro na construção do posto de saúde e ficou 15 dias desaparecido. Segundo as investigações da Polícia Civil na época, ele foi morto em 26 de fevereiro de 2015, quando foi dominado pelos colegas de trabalho e jogado em uma vala de aproximadamente três metros de profundidade. O cadáver só foi encontrado com a ajuda de dois cães farejadores do Corpo de Bombeiros.

A princípio, informou-se que o funcionário tinha sido morto a pauladas, mas o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) e as outras provas apresentadas durante o julgamento indicam que o buraco foi fechado com concreto e cimento, provocando a morte por asfixia mecânica. Segundo o relato de outro funcionário da obra, ouvido como testemunha, Crizzan foi obrigado pelos réus a caminhar até a própria cova e teve as pernas amarradas antes de morrer.

A promotora Claúdia Daniela Franco, responsável pelo caso, denunciou nos autos que Ruan, Nailton e Edinaldo decidiram matar Crizzan porque um deles tinha inveja da boa projeção profissional que ele tinha e os outros temiam ser denunciados por problemas disciplinares e até por um esquema planejado para desviar materiais de construção da obra, com o qual a vítima não concordava. “Todos eles tinham a sua motivação específica e especial para praticar o delito”, resumiu Cláudia. Os advogados de defesa dos réus, por sua parte, afirmam que as provas apresentadas são falhas e prometem recorrer da decisão. (Gabriel Damásio)